
Já Bocage não sou!... À cova escura
Já Bocage não sou!... À cova escura
Meu estro vai parar desfeito em vento...
Eu aos Céus ultrajei! O meu tormento
Leve me torne sempre a terra dura.
Conheço agora já quão vã figura
Em prosa e verso fez meu louco intento;
Musa!... Tivera algum merecimento
Se um raio de razão seguisse pura!
Eu me arrependo; a língua quase fria
Brade em alto pregão à mocidade,
Que atrás do som fantástico corria.
Outro Aretino fui... A santidade
Manchei - ... Oh! Se me creste, gente ímpia,
Rasga meus versos, crê na eternidade!
Manuel Maria Barbosa du Bocage nasce, em Setúbal, no dia 15 de Setembro de 1765. Morre a 21 de Dezembro de 1805. Foi um génio incompreendido numa sociedade decadente e "imbecilizada pelo obscurantismo religioso". Para a posteridade ficou a sua Obra. Que viva Bocage!
2 comentários:
Reclamação:
Com este frio e com férias a porta não há sugestões de leitura... alguma coisa que abra o apetite??
Obrigada de todo o coração, por este poema aluzivo ao poeta da minha cidade.
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