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18 junho 2011

Listas de livros ...

Eis a lista de livros que nos últimos tempos me sugeriram, indicada aqui sem nenhuma ordem em especial:

- Livro, José Luís Peixoto;
- Curso Intensivo de Jardinagem, Margarida Ferra;
- A solidão dos números primos, Paolo Giordano;
- Alexis, Marguerite Yourcenar;
- Apesar do medo, Susan Jeffers;
- O livro do sapateiro, Pedro Tamen;
- Onde a vida se perde, Paulo Ferreira;
- A inexistência de Eva, Filipa Leal;
- A Melancolia dos dias, Maria Manuel Viana;
- A Marquesa de Alorna, MariaTeresa Horta;
- A Cidade de Ulisses, Teolinda Gersão;
- Poesia reunida, Eduardo Pitta;
- Histórias da Terra e do Mar, Sophia de Mello Breyner Andresen;
- Por este mundo acima, Patrícia Reis;
- Por Amor A Judith, Meuir Shalev;
- Noivas Persas, Dorit Rabinyan;
- Carnaval no fogo, Ruy de Carvalho;
- Veneza, Jan Morris;
- Paris, Os Passeios de um Flâneur, Edmund White;
- Lisboa em Pessoa, João Correia Filho;
- Um homem parado no Inverno, Baptista Bastos;
- Lisboa, livro de Bordo, José Cardoso Pires;
- O sentimento dum Ocidental, Cesário Verde;
- Teoria da Viagem, Michel Onfray;
- O vento dos outros, Raquel Ochoa;
- (...).

Quando junto esta lista às minhas outras, percebo que não tenho tempo nem para metade da livravria! :)

05 outubro 2008

Já li ...

Um Café com sabor Diferente foi o livro escolhido pelo clube de leitura À Volta das Letras para o mês de Julho. Luís Alves Milheiro é um jovem escritor e jornalista já com vários títulos publicados, nomeadamente: - Bilhete para a violência (1995); Desenhos humanos – entrevistas (1999); Almada e a resistência antifascista – ensaio (2000); Campo de sonhos – crónicas (2000); Flores para uma bicha-solitária – teatro (2002);

- 1999; O ano do regresso do Marquês – teatro (2002); Abril sonhos mil – poemas (2004), em 2008 participou na obra 25 Olhares de Abril.

É também o autor dos blogues Casario do Ginjal, Largo da Memória e Viagens Pelo Oeste.

Um Café com Sabor Diferente é um livro de contos que retratam, a meu ver, em termos gerais, alguns aspectos da sociedade portuguesa e, depois em particular a vida, os amigos e o mundo em volta de um Bairro, que pode ser o nosso, mas que neste caso sabemos que é Almada.

Melhor que ler o livro, foi ter a possibilidade de conversar com o autor sobre a obra e sobre alguns contos em particular. Obrigada, Luís por mais um encontro À Volta das Letras com a presença do autor.

01 setembro 2008

Os Outros Caminhos do Mundo

Ontem acabei de ler o livro de Clara Pinto Correia Os Outros Caminhos do Mundo. Quando estou de férias gosto de ler livros que falem de viagens. Acho que me inspiram e me ajudam também a viajar.

Acompanhei a Clara Pinto Correia pela Jordânia, Ilha da Páscoa, Moçambique, Austrália, México, União Soviética, Los Angeles, Argentina e Jamaica.

Descobri que a Austrália é o único país do mundo com camelos selvagens. Engraçado. Quando pensamos na Austrália, pensamos em coalas, cangurus, eucaliptos, entre outras coisas, agora camelos, foi mesmo uma surpresa. É por isso que é bom viajar, nem que seja através de um livro.

27 agosto 2008

Um osso na garganta

Um osso na garganta é o título de um policial de Anthony Bourdain. O que me chamou a atenção e o que me levou a ler este livro, antes das férias, foi o nome do seu autor, o famoso chef de cozinha Anthony Bourdain.

É um romance bem disposto e com várias alusões à gastronomia.

12 abril 2008

Rio das Flores


Acabei de conhecer a família Ribera Flores, de Estremoz. Diogo, Pedro e Amparo são os grandes protagonistas do romance hitórico de Miguel Sousa Tavares, Rio das Flores, publicado na Oficina do Livro.

Gostei do romance. Compreendi a necessidade de liberdade de Diogo e a sua "fuga" para o Brasil, a fidelidade de Amparo para com Diogo até ao momento oficial de ruptura, a busca inevitável de amor e satisfação de Amparo e Pedro, que a partir de determinado momento do romance se começa a adivinhar.

O contexto histórico ajuda a compreender as motivações, os desejos e as maneiras de encarar os problemas que o país vivia.

12 novembro 2007

Onésimo



Domingo de Manhã. O encontro do À Volta das Letras era, como já vem sendo hábito no Museu do Teatro. Do grupo fui a última a chegar. O nosso convidado já lá estava. E assim que chegámos demonstrou logo o seu bom humor e disposição.

A conversa começou à volta do livro As Aventuras de um Nabogador e daí partiu para muitos lados. Estivemos duas horas e meia, e mais estaríamos se não fossem os compromissos pessoais.

Um muito obrigada, Onésimo.

30 outubro 2007

O que estou a ler ...



Aventuras de um Nabogador é o primeiro livro de Onésimo Teotónio Almeida que estou a ler. Aventurei-me ainda em poucas páginas, mas já me encontrei com Dolly, a ninfomaníaca, que vai pontuando a prestação dos que caem na teia da sua sedução. Estou neste momento na Vontade de Poder.

Apetece-me descobrir mais livros deste escritor açoriano, que possui um particular sentido de humor.

13 junho 2007

O que estou a ler ...

«Uma criança desaparece. Estava à guarda do pai. O choque da notícia atira a mãe para um abismo de amnésia. Sem memória, é incapaz de chorar um filho que não sabe que tem. Como podemos continuar a viver se caminhamos vazios. E há um homem que arranja uma amante enquanto visita a mulher no hospital. Ladrões que roubam cinzas de uma morta. Há as maldades desumanas do amor, um sopro pérfido que o diabo sussurra aos ouvidos. Em fundo, a irracional violência do divórcio. A bestialidade das palavras que atiramos uns aos outros como pedras. Uma mulher que espera ainda e sempre, à janela. Porque o coração é um bicho e não ouve. E uma pergunta a que não se ousa responder: Para onde vão os amores que foram um dia?»

O que tenho lido ...

O escritor José Luís Peixoto no último encontro promovido pelo À Volta das Letras sugeriu, para leitura no mês de Maio, a obra de Manuel da Silva Ramos O Sol da Meia Noite. Confesso que desconhecia o escritor e não fazia a mínima ideia que tipo de livros teria escrito, mas fiquei com a sensação que o autor nos dava a conhecer muitas das suas loucas aventuras amorosas. Nesse mesmo dia comprei o livro.

O livro está dividido em duas parte: O Sol da Meia Noite e Contos do Bem-Aventurado Errante. Na primeira parte acompanhamos a paixão do narrador com a nórdica e estravagante Lisabeth pela cidade de Lisboa, na segunda parte, o autor presenteia-nos com um conjunto de contos que nos dão a conhecer algumas das suas aventuras amorosas e sexuais.

O Sol da Meia Noite
é um livro de boémia e loucura, com sentido de humor (eu pelo menos achei!), intenso, onde o autor deixa transparecer, na minha opinião, algum amargo de boca em relação a Portugal. Através da primeira parte senti, também, que se faz uma viagem de ócio e de prazeres por uma certa Lisboa noctívaga, desde a Graça, Costa do Castelo, Praça da Figueira, Rossio, Chile, Bairro Alto, pelas tascas e pensões baratas. É um livro com muito álcool, sexo e solidão.

O que tenho lido ...

Cemitério de Pianos foi o primeiro livro de José Luís Peixoto que li. Há uns anos recebi como presente de Natal Uma Casa na Escuridão, mas acabei por dar prioridade a outras leituras e o livro tem ficado arrumado na estante.

Cemitério de Pianos é um livro com uma escrita deliciosa, com ritmo e sem palavras difíceis. É a história de uma família muito mais complicada do que inicialmente parece. Temos dois narradores: o pai e o filho, que vão contando as suas vidas e da sua família.

A vida, a morte, traição, dúvidas, esperança e um cemitério de pianos por onde todos passam e que esconde um pouco de cada um, são os ingredientes que nos prendem na leitura deste romance.

Adorei. Fiquei com vontade de ler mais deste magnífico e simpático escritor.

01 abril 2007

O que estou a ler ...


Um livro com humor à volta do suícidio. Ainda só vou na página 43 e estou a gostar.

21 fevereiro 2007

O que estou a ler ...

É apresentado assim pelo editor:

« Depois de iniciar uma investigação sobre a morte de um homem desconhecido encontrado num apartamento dos arredores do Porto, Jaime Ramos – o detective dos anteriores livros policiais de Francisco José Viegas – é levado a percorrer caminhos que o transportam entre Portugal, o Brasil e a memória de Angola. Nesse triâgulo vivem personagens solitárias que desaparecem sem deixar rasto e cujas biografias tenta reconstruir a partir do nada, socorrendo-se apenas da sua imaginação. Esse percurso transportará o leitor da Beirute do século XIX até ao coração da Amazónia e à Manaus contemporânea, do Porto a São Paulo, de Luanda ao Rio de Janeiro e ao Amapá, da guerra de Angola e da Guiné aos apartamentos vazios onde são recolhidos cadáveres, memórias e silêncios. Há homens sem biografia nem memória, mulheres que desafiam o conformismo e a mediocridade do seu pequeno mundo, seres humanos que perderam todas as ilusões e se limitam a procurar não morrer. Este cruzamento de geografias e de tipos humanos provoca alucinações no próprio narrador, que ora escreve em português de Portugal, ora em português do Brasil, e no investigador Jaime Ramos, que é obrigado a inventar histórias de perdição para que o seu mundo tenha algum sentido. Reconstruindo a própria linguagem do romance policial, subvertendo as suas regras, escrito em tons e linguagens distintos, Longe de Manaus é o romance da solidão portuguesa, o retrato distante e desfocado de um país abandonado às suas memórias e ao seu desaparecimento.»

03 agosto 2006

A Herança de Eszter


A Herança de Eszter conta-nos a história de um amor. Mas não um amor no sentido a que estamos acostumados.

Somos guiados nessa história pela mão de Eszter, assim vamos descobrindo como amou Lajos e como este sempre enganou todos os que o rodeavam. Sempre cheio de dívidas e muitas falsas histórias.

Lajos, embora apaixonado por Eszter, acabou por casar com a sua irmã, Vilma. Passados 20 anos, Eszter recebe em sua casa Lajos e os seus filhos. Nesse encontro, fala-se do passado, descobrem-se carácteres e Eszter deixa-se envolver com a conversa de Lajos.

Ao longo do livro sentimos que Eszter vai ceder, queremos alertá-la, dar-lhe força, mas sabemos que não conseguimos. Depois de ler o livro senti-me um pouco triste pela inevitabilidade da situação de Eszter. Nunca o deixou de amar. Fizesse, o que ele fizesse.

De Sándor Márai encontramos também publicado pela D. Quixote a obra As Velas Ardem até ao Fim.

17 abril 2006

1613

Na passada quarta-feira, emprestaram-me o livro 1613 de Pedro Vasconcelos. Sobre o autor tinha poucas referências, mas muita curiosidade por ouvir falar quem já leu o livro.

O romance começa com o julgamento de D. Manuel Álvares, em Goa. Sobre ele pesa a acusação injusta de ter entregue o Forte de Solor, nas Índias Orientais, aos holandeses.

D. Manuel tudo fez para lutar contra os holandeses e defender o forte. Com poucos homens e poucas munições recorreu à imaginação. Como estratégia usou água quente que lançou sobre os invasores, usou cabeças de aves trazidas e enfeitiçadas pelo curandeiro Molan, esfregou o barco, dos invasores, com uma pasta, feita a partir da planta Karlele, que dava muito comichão. Mas estas artimanhas não são suficientes para travar a força dos holandeses.

Ao lado de D. Manuel encontramos a princesa Nenu. Sobrinha do velho Gunnung, chefe de uma aldeia indígena, que não vê com bons olhos o relacionamento da sobrinha com o português.

D. Luís de Abreu, homem de poucas palavras, foi em tempos um jogador compulsivo a que a necessidade obrigou a enveredar pela carreira militar. É o braço direito de D. Manuel no forte.

Entre os holandeses encontramos o comandante Appolonius Scotte, o almirante Van de Velde, homem cruel e ambicioso, e Peter Cornellius, um verdadeiro esgrimista. Peter, encontra em D. Manuel um adversário à altura, não pela arte de manejar a espada, mas pela criatividade de resolver os confrontos.

Nenu tenta ajudar D. Manuel e pede ajuda ao feiticeiro Buan, pois não cumpriu a promessa que tinha feito ao curandeiro Molan. Depois de cumprir a missão que o feiticeiro Buan exigiu, esta é raptada pelos holandeses.

D. Luís depois de ferido procura suicidar-se no mar. Mas Nenu, consegue fugir e encontra ainda vivo D. Luís, que irá ter um destino fora do comum e fundamental no desenrolar da história.

D. Manuel perde a sua amada e foge, ajudado pelo Frei Belchior. Homem religioso, consciente da importância das outras religiões e um fervoroso leitor.

Ajudado pelo padre Jaime, um grande bibliófilo e fabricante de venenos, D. Manuel procura falar com o vice-rei. Este com o intuito de mostrar o seu poder e de ouvidos cheios, por um soldado que fugiu de Solor e que acusou D. Manuel de pactuar com os holandeses, manda-o prender.

Em Goa, D. Manuel viu-se em grandes trabalhos. Preso e acusado. Sem dinheiro, longe da sua amada Nenu e ainda o compromisso de se tornar um «casado de Goa». Mas nem tudo está perdido. Há forças superiores à vontade dos homens. Nenu e Frei Belchior irão ajudar ...

"1613" é um romance cheio de surpresas. Muita acção e aventura através do reencontro de dois amantes numa viagem de culturas, diferenças religiosas, conventos, livros, feitiçaria, poderes ocultos e a fuga à Inquisição.

Das personagens, simpatizo particularmente com Frei Belchior. Um homem inteligente, astuto e culto.

"1613" é o primeiro romance de Pedro Vasconcelos. Gostei da escrita, da dinâmica do romance, da criatividade, das referências às diferentes armas e às línguas locais.

A nossa história é tão grandiosa. "Dêmos novos mundo ao mundo", temos figuras ímpares, de certo com tanto para se dizer sobre elas, e temos tão poucos romances sobre os nossos feitos. Espero que "1613" seja apenas o começo para que o romance histórico português ganhe alento.

16 outubro 2005

À Espera no Centeio

Terminei hoje a leitura do livro de J.D. Salinger, "À Espera no Centeio" (The Catcher In The Rye), publicado, entre nós, pela Difel. Em análise, até 31 de Outubro, no Leitura Partilhada.

«Contado na primeira pessoa, "À Espera no Centeio" relata as aventuras de Holden Caufield, um rapaz de 16 anos que, ao ter de deixar o colégio interno que frequenta, mas receoso de enfrentar a fúria dos pais, decide passar uns dias em Nova Iorque até começarem as férias de Natal e poder voltar para casa. Confuso, inseguro, incapaz de reconhecer a sua própria sensibilidade e fragilidade, Holden percorre nesses dias um intricado labirinto de emoções e experiências, encontrando os mais diversos tipos de pessoas e envolvendo-se em situações para as quais não está preparado.»

Neste livro, a atitude que Holden tem perante a vida incomoda. É um adolescente, com dúvidas e inseguranças próprias desta fase. No entanto, não se esforça para conseguir nada. Esta postura perante as coisas e a vida deixa-me preocupada. Muitos jovens, não todos (felizmente), e até mesmo muitos adultos, têm muitas vezes esta atitude. Não se esforçam para ultrapassar as dificuldades, desistem perante um problema (a saída mais fácil) e acham que os outros (normalmente, os pais), mais cedo ou mais tarde, lhes irão resolver os problemas. Falta-lhes objectivos e vontade de lutar por eles.

O professor Antolini diz a Holden o seguinte: «(...) parece-me que assim que começares a perceber claramente para onde queres ir, o teu primeiro passo vai ser aplicar-te na escola. Tem de ser. És um estudante, quer a ideia te agrade ou não. Tens a paixão do conhecimento»

Vivemos numa sociedade cada vez mais competitiva, a nossa medida padrão tem que ser pelos melhores. Penso que seria meio caminho andado, se a maioria dos nossos estudantes assumisse a paixão pelo conhecimento, já que é na escola, quer queiram quer não, que o seu futuro começa a ser preparado.

18 setembro 2005

À Boleia Pela Galáxia

À Boleia Pela Galáxia (The Hitchhiker's Guide To The Galaxy) de Douglas Adams (1952-2001) foi publicado originalmente, em Inglaterra, em 1979.

Assim que abrimos o livro deparamo-nos com a frase: NÃO ENTRE EM PÂNICO. É um óptimo conselho para a alucinante, bem humorada e surreal viagem, onde o improvável é uma constante.

À Boleia Pela Galáxia começa com Arthur Dent confrontado com a demolição da sua casa para a construção de uma via rápida. Entretanto, o seu amigo Ford Prefect, alienígena disfarçado de actor, depois de obrigar Arthur a beber umas cervejas (que servirão de relaxante muscular), salva-o da destruição da Terra. O Planeta Terra é destruído para dar lugar a uma auto-estrada intergaláctica.

Neste universo, descobrimos que qualquer viajante que se preze deve ter "O Guia da Galáxia Para Quem anda à Boleia". Obviamente, a edição em "formato de microcomponente electrónico submétrico", pois se fosse impresso como um livro normal, os viajantes "precisariam de vários edifícios incovenientemente grandes para o transportar consigo".

Uma toalha de banho, da Marks & Spencer, é outro dos objectos extremamente úteis para quem viaja à boleia. Muito prática pois serve: - para o viajante se enrolar se tiver frio; para se deitar; como cobertor no planeta deserto de Kakrafoon; para velejar numa pequena jangada; para a luta corpo a corpo se estiver molhada; serve também para enrolar em volta da cabeça como protecção de fumos nocivos; para evitar o olhar da besta voraz; para acenar como sinal de aflição e por fim, se ainda estiver limpa, o viajante pode usá-la para se limpar. Para além disto tudo, a toalha tem um importante valor psicológico. Um viajante que sabe sempre onde está a sua toalha é um homem de respeito.

Ford Prefect e Arthur, momentos antes da destruição da Terra, apanham boleia numa nave vogon. Os vogons são "mal-humorados, burocráticos, inoportunos e insensíveis" e têm a terceira pior poesia de todo o Universo. A segunda é a dos Azgoths de Kria. A pior poesia do universo morreu com a destruição do planeta Terra. A sua autora era Paula Nancy Millstone Jennings, de Greenbridge, Essex, Inglaterra.

Expulsos da nave Vogon, Ford e Arthur são lançados ao espaço e apanhados pela nave "Coração de Ouro", onde viaja o Presidente da Galáxia. O Presidente da Galáxia é Zaphod Beeblebrox, aventureiro, ex-hippie, boémio e oportunista. Tem duas cabeças e três braços. Na nave viaja também, Trillian e Marvin.

Trillian é Tricia MacMillan, terrestre, com uma licenciatura em matemática e astrofísica, que preferiu apanhar uma boleia a ir para as filas do centro de emprego. Conheceu Arthur numa festa, mas foi Zaphod quem a conquistou. Trillian tem, como seus únicos elos de ligação à Terra, dois ratos brancos fechados numa gaiola. Numa aparente sequência de coincidências, que mais tarde se irão compreender (ao mais ínfimo e intoxicante pormenor), irão todos em busca do "Santo Graal" mais conhecido pelo número 42!? Vale a pena acompanhar esta estranha e improvável viagem em conjunto.

Uma história interessante que, à boa maneira da ficção científica, levanta vários assuntos existenciais e filosóficos, tais como a aniquilação/redução de uma espécie a um indivíduo (ou a dois) e a subjugação da nossa espécie a outra(s). Qual a nossa origem? Qual o nosso papel? O que fazemos aqui? Para onde vamos? Não existirão outras espécies tão ou mais inteligentes que a nossa? Como gerimos os nossos recursos? Somos donos e senhores do mundo, até quando? E Deus?

Esta obra permite-nos questionar a visão demasiado antropológica da natureza (e do universo) que todos temos. Enfim, uma série de assuntos interessantes, polvilhados com muito humor "nonsense" - exagerado em alguns registos - mas de leitura acessível e viciante até à última página. Falta-nos agora, a respectiva confrontação com o filme. A adaptação ao cinema de uma história com estas características, deixa-nos deveras na expectativa.

Esperamos voltar em breve a este assunto ... até lá boas leituras ... e ...

NÃO ENTREM EM PÂNICO!

13 setembro 2005

Meia-Noite ou O Princípio do Mundo ...

Richard Zimler, no romance Meia-Noite ou O Princípio do Mundo (edições Gótica), desafia-nos a viajar de 1798 a 1925, atravessando três continentes: Europa, África e América.

Ao longo desta aventura somos conduzidos por John Stewart Zarco. Nascido no Porto, filho de um escocês (James Stewart) e de uma judia portuguesa (Maria Pereira Zarco). John é o narrador e começa por nos falar da sua infância, no Porto, e do seu amigo Daniel, da aventura no mercado das aves e da influência que Violeta terá na vida de ambos.

Intrigado com a palavra marrano, irá descobrir o judaísmo. «Tudo o que eu sabia de fonte segura era que Moisés era um profeta que tinha chifres na cabeça. (...) todos os judeus tinham tido estas protuberâncias há milhares de anos atrás, mas que tinham caído por falta de uso. (...) alguns membros antigos desta raça tinham mesmo possuído caudas peludas.» Depois de confirmar que não tinha "indícios de excrecências disformes denunciadoras" ficou mais descansado.
Importante é também, a influência de Meia-Noite na vida de John e da sua família. Meia-Noite chega ao Porto com James Stewart, vindos de África. Meia-Noite não teria mais de metro e meio e a sua pela era negra. John e a mãe recebem o boximane com desconforto. Mas, Meia-Noite com a sua sabedoria e bondade irá conquistar a amizade de ambos.

Depois de uma viagem a Inglaterra, James Stewart regressa sem Meia-Noite. Segundo o relato, Meia-Noite morreu. Este acontecimento marca profundamente a família e a verdade só virá muito mais tarde.

O reencontro com Violeta e a tentativa de corrigir uma acção injusta, levam-no a viajar para os Estados Unidos da América. Aí confronta-se com a escravatura e uma sociedade dividida entre brancos e negros. As grandes plantações de brancos. E os negros, escravos, seres humanos tratados sem dignidade e abusados na sua integridade.

Este romance mostra-nos, através da família de John, como vivia uma família de "cristãos-novos", em Portugal, em finais do século XVIII e princípio do século XIX. Supostamente, não havia judeus em Portugal, porque em 1497, os judeus converteram-se, depois de ameaçados de morte, e passaram a ser cristãos-novos. Não podiam professar livremente a sua fé e se o fizessem eram perseguidos, presos e até mortos. Vivia-se um sentimento desagradável, de mau estar em relação aos judeus.

Amizade, amor, traição, judaísmo e escravatura, são temas que fazem de "Meia-Noite ou o Princípio do Mundo" um livro a ler. É um importante contributo para saber quem somos e relembrar-nos das opções que tomámos ao longo da História. O preconceito, não é algo novo. Às vezes sinto, que demoramos, em demasia, a aprender as lições da nossa História. Precisamos de mais obras como esta.

16 agosto 2005

Leituras de Verão

Acabei de Ler O Último Cabalista de Lisboa de Richard Zimler, publicado pela Quetzal Editores. Era um livro que quando saiu, em 1996, fiquei de ler.

Resumidamente, a história passa-se em 1506, sob o reinado de D. Manuel I, durante as celebrações da Páscoa, quando cerca de dois mil cristãos novos são espancados e atirados às fogueiras no Rossio. Abraão Zarco, mestre cabalista e iluminador aparece morto, com a garganta cortada por um shohet, junto de uma jovem rapariga. O livro transporta-nos pela cidade de Lisboa, através das investigações de Berequias Zarco, sobrinho de mestre Abraão. Berequias é ajudado, nas investigações da morte do seu tio, pelo amigo Farid. O livro para além de nos apresentar um glossário dos termos utilizados em hebraico, descreve-nos de forma intensa as perseguições e as torturas de que os judeus foram alvo.

Neste livro realço a perseguição em massa feita aos cristãos novos, a indiferença das autoridades e a conivência da população. Muitos dos cristão novos foram perseguidos porque foram denunciados por pessoas próximas, vizinhos ou amigos. Que interesse ou que ódio move alguém a denunciar uma pessoa com quem se estabelece laços de amizade, com quem se conviveu? Como é que nos deixamos de respeitar enquanto seres humanos? Como é que nos deixamos cegar por factores religiosos ou económicos? É essa a nossa natureza?! Infelizmente outros acontecimentos históricos têm confirmado esta realidade.