18 novembro 2005

As aulas de substituição ...

Considero que, por um lado, assistir às aulas é um dever de qualquer aluno, por outro lado, as aulas são um direito que os alunos têm, não só para aprenderem conteúdos, mas também como forma de aprenderem/corrigirem atitudes e/ou comportamentos. Portanto, as aulas de substituição fazem todo o sentido.

A questão que normalmente colocam é: fará sentido colocar um professor de filosofia a substituir um professor de matemática?

Para mim, esta questão não indica o principal problema do mau estar em relação às aulas de substituição. Mas mesmo assim, porque não. A aula de substituição é uma forma de manter o contrato de ensino/aprendizagem com o aluno. Agora, estas aulas exigem trabalho, esforço e coordenação por parte da escola e dos grupos disciplinares.

Os grupos disciplinares têm que produzir materiais para as aulas de subsituição. É certo que dá trabalho. Mas não é impossível.

Quando um professor já sabe antecipadamente que vai faltar, deverá deixar a aula de substituição preparada. Ou seja, se o professor de matemática vai faltar deverá deixar materiais preparados para a aula (ex: uma ficha de exercícios). Se assim for, o professor de filosofia terá que supervisionar e manter a disciplina na sala de aula. Isto levanta problemas? Porquê?

Quando não se têm materiais da disciplina do professor que falta, o professor que vai substituir deve usar as suas competências pedagógicas. Criar materiais próprios ou usar os disponibilizados pelo seu grupo disciplinar para estas aulas. Enfim, exercitar competências que promovam atitudes construtivas, disciplina de e no trabalho, com o intuito de promover comportamentos positivos.

O que é inadmissível é que haja alunos a terem em média 3 furos por semana, tal como revela um estudo publicado esta semana. Se os professores fossem obrigados a compensar as aulas em que faltaram, a conversa seria outra ... ;)

Os alunos não podem ser prejudicados pelo absentismo dos professores. Deveriam ser os primeiros a exigir ter aulas. É a sua formação que está em causa. E numa sociedade cada vez mais competitiva, só irão singrar os mais bem preparados.

Deveria ser prática comum, no final de cada trimestre, os encarregados de educação serem informados, juntamente com as notas dos seus educandos, do absentismo dos professores.

É curioso verificar que o problema do absentismo verifica-se, com esta dimensão, apenas no ensino público. Porque será?

2 comentários:

Marco disse...

Acho muita piada a falarem nasfaltas dos professores, principalmente os pais, que justificam as faltas todas dos seus educandos, não querem saber das que ficam por justificar e depois ficam horrorizados com os "furos".
Sobre as aulas de substituição, penso que deixei clara a minha posição em:
www.percasperdidas.blogspot.com

Professor Pardal disse...

A diferença, é que os alunos, sendo a razão de ser da escola, têm o direito de ver satisfeito o contrato (implícito) de assistir às aulas?

Dito isto, não pretendo desculpabilizar aqueles "papás" que se desresponsabilizam da educação dos seus filhos justificando "as faltas todas dos seus educandos, não querem saber das que ficam por justificar".

Mas atenção, esta última situação não reduz a necessidade da existência das referidas aulas de substituição.