13 junho 2006

Primeiro as Senhoras

Primeiro as Senhoras é um livro que se lê muito bem. Resumidamente, é a conversa de Edgar, um bom malandro e o inspector da polícia, que nunca faz perguntas. Edgar relata o seu rapto e vai entrelaçando na conversa outros pormenores da sua vida.

Edgar procura ajudar o inspector a deslindar o seu caso. À medida que a conversa avança, vamos percebendo que Edgar não é assim tão inocente. Mas tem uma grande lábia.

Mário Zambujal escreve com humor, com situações muito caricatas e divertidas.

Desde que me lembro sempre conheci Mário Zambujal (principalmente da televisão), mas este foi o primeiro livro dele que li. Fiquei com vontade de ler os outros.

12 junho 2006

Clube de leitura ...

Aceitei a proposta de pertencer a um clube de leitura. Primeiro as Senhoras de Mário Zambujal foi o livro escolhido para o primeiro encontro.

Mário Zambujal está a seduzir-me com um bom malandro que gosta de dar piropos e aprecia muito, muito o sexo feminino. Ainda não acabei a minha leitura.

10 junho 2006

Prognóstico ...

"Amanhã, o Mantorras vai meter um golo na baliza do Ricardo" - afirmação proferida, hoje, por um transeunte na Feira do Livro.

Vamos ver...vamos ver...

Força Portugal!

09 junho 2006

É amanhã ...

Pedro Vasconcelos estará, amanhã, na Feira do Livro, para uma sessão de autógrafos, no stand da Oficina do Livro, às 17 horas. Apareçam ...

30 maio 2006

Feira do Livro

Ontem fui à Feira do Livro. Achei-a fraquinha. Menos expositores e poucos visitantes.

Para mim, a feira já não tem o encanto que teve. Desde que entrou no mercado a Fnac, as coisas mudaram.

Tenho ideia que os preços na feira não são muito diferentes das nossas boas livrarias. No entanto, continua a valer a pena os livros do dia, as sessões de autógrafos e as actividades (lançamento de livros, debates, etc...).

Em relação ao espaço da feira, as obras no início do Parque, junto ao Marquês, quando é que terminam? É que já chateia.

29 maio 2006

Verona - a cidade da Julieta

Saí de Bolonha, de comboio, para Verona no dia 1 de Maio de 2006. Fiz o percurso a pé até ao centro da cidade. A cidade estava cheia de gente. Havia uma corrida júnior.

Entrada com a Torre - os Portoni della Bra com a torre Pentágono. Passando esta entrada, encontramos o anfiteatro romano e uma praça cheia de cafés.


Estátua de Berto Barbarani, poeta, 1872-1945.

A Via Cappello, era o meu destino. Queria visitar a Casa da Julieta.


É esta a entrada da Casa da Julieta. Havia um mar de gente a entrar. Muitos, muitos turistas.


As paredes da entrada estão cheias de mensagens de amor.

O famoso balcão. A fila para entrar para o balcão, era superior à fila da bilheteira. Muitas são as pessoas que querem ser fotografadas ali.


Vista da casa, de uma das janelas.


Interior da casa.


O quarto de Julieta.


Estátua de bronze de Julieta, obra de N. Costantini. É curioso a quantidade de pessoas que tiram fotos junto da estátua de Julieta.

É tradição as pessoas tirarem a foto com a mão na maminha da Julieta. Reparem que até está um pouco gasta.


Museu de Verona, entrada. Busto de William Shakespeare.

O túmulo de Julieta.

Em Verona, muito ficou para ver....

18 maio 2006

O próximo romance de Pedro Vasconcelos

Ontem, assisti a uma palestra/conversa do escritor Pedro Vasconcelos, que editou o ano passado o seu primeiro romance, 1613.

Pedro Vasconcelos revelou-nos a sua paixão pela leitura, lê 5 a 6 livros ao mesmo tempo, lê em qualquer lugar, até nos semáforos. Está, presentemente a ler Padre António Vieira e os Judeus. Esta obra enquadra-se na preparação do próximo romance, que se irá intitular 1621.

Ao longo da conversa o escritor falou-nos de 1613, como foi construindo a obra e as personagens. Revelou-nos também alguns pormenores do seu próximo romance, que sairá em Novembro e dos seus projectos, pretende escrever um livro por ano.

Em relação ao próximo livro, sabemos que Nenu irá morrer, mas mais nada, nem como, nem porquê. O facto de Nenu morrer, não significa que deixará de condicionar ou de intervir no romance. Ela, antes de morrer irá ser amaldiçoada, e transforma-se numa "sucubus". "Sucubus" é uma entidade feminina que tenta os homens nos sonhos.

Miguel, o filho de Nenu irá surgir no romance como protegido do Padre António Vieira, personagem histórica por quem Pedro Vasconcelos nutre uma enorme admiração e interesse. Promete muita acção de "capa e espada" e romance, obviamente.

Pedro Vasconcelos tem os ingredientes para se destacar na literatura portuguesa. Procura conciliar personagens e acontecimentos da nossa história, polvilhados de magia/feitiçaria/sonho, objectos etnográficos (máscaras, armas, etc), aspectos das culturas locais e muita imaginação. Mas, o mais importante de tudo é que nos faz sonhar.

14 maio 2006

Veneza

Veneza, 30 de Abril de 2006 às 16h04.

Fui a Veneza num domingo. Fiz a viagem de comboio, partindo de Bolonha. Quando cheguei senti que não fui convenientemente agasalhada. Estava frio e parecia prestes a chover.

Tinha de Veneza, a ideia de uma cidade romântica, bonita. A expectativa era grande.

As ruas estavam cheias de gente. Às vezes ouvia falar português, o que, inexplicavelmente, me alegrava.

Encontrei várias lojas com as famosas máscaras e muitos objectos de Murano.

Em Veneza, as ruas são canais. Os taxis são barcos. Não ouvi os gondoleiros a cantar. Mas fiz a travessia, de um dos canais, de Gondola.

Não me aprecebi que Veneza cheirasse mal. Gostei do colorido dos edifícios, embora algumas fachadas apresentem sinais de degradação.

Como não podia deixar de ser, em Veneza também se come muito bem.

Veneza, 30 de Abril de 2006 às 12h21.


Veneza, 30 de Abril de 2006 às 14h25.


Veneza, 30 de Abril de 2006 às 11h04.

Veneza, fachada da Basílica de S. Marcos, 30 de Abril de 2006 às 14h52.

Não visitei a Basília. A Praça de S. Marcos estava cheia de gente. A fila de pessoas para entrar na Basílica parecia não ter fim. Talvez, quem sabe, para a próxima ...

09 maio 2006

Finalmente, Frida Kahlo

A Coluna Partida, 1944.

No domingo, finalmente consegui ir a uma visita guiada à exposição de Frida Kahlo, no CCB. Está a ter imensos visitantes. A primeira vez, logo no primeiro fim-de-semana da exposição, que tentei ir à visita guiada, deparei-me com uma fila quase interminável para entrar e a visita guiada já estava completa.

Gostei da exposição. A visita guiada ajudou-me a comprender a importância da morte na cultura mexicana, o contexto histórico do México, as roupas de Frida e o modo como os acontecimentos da sua vida pessoal se evidenciam nas suas obras. Um dia gostaria de visitar a Casa Azul.

Muitos dos seus quadros transmitem dor. Um sofrimento físico tremendo. Uns evidenciam a dor resultante das operações à coluna e a recuperação, a traição da sua irmã, os abortos e a solidão. No entanto, Frida demonstra também muita força interior. Muita coragem para enfrentar as adversidades. Foi uma grande mulher!

06 maio 2006

Sala Borsa, um espaço de cultura


Bolonha, Itália, 26 de Abril de 2006 às 15h28.


Bolonha, Itália, 26 de Abril de 2006 às 15h21.


Bolonha, Itália, 26 de Abril de 2006 às 15h24.


Bolonha, Itália, 26 de Abril de 2006 às 15h25.


Bolonha, Itália, 28 de Abril de 2006 às 10h04.


Junto à Fonte de Neptuno, encontramos a Sala Borsa. Um espaço fantástico. Com biblioteca, livraria, cafés, espaço internet e restaurante .

Uma parte do chão é de vidro, através do qual podemos ver vestígios de construções romanas.

À esquerda, de quem entra no edifício, temos uma homenagem a muitos homens e mulheres que fizeram frente ao fascismo.

Da minha curta estadia em Bolonha, foi dos espaços de que mais gostei. Na sexta-feira, 28 de Abril, houve greve de autocarros e choveu imenso toda a manhã. Abriguei-me aqui, tomei um café e comprei um souvenir.

Bolonha, cidade dos pórticos

Bolonha, Itália, 28 de Abril de 2006 às 08:52

Bolonha deve ser a única cidade do mundo com tantos pórticos. Em quase todas as ruas há pórticos. A subida para o santuário de S. Luca tem 4 Km seguidos de pórticos.

05 maio 2006

A globalização da cultura

Na passada quarta-feira, assisti à palestra "A globalização da cultura" pelo jornalista Hernâni Carvalho, no auditório do INETE.

Na conversa, Hernâni Carvalho referiu que a globalização é a uniformização de todos pelos piores motivos. Que hoje em dia, ver um telejornal, em Portugal, França, Alemanha sobre, por exemplo, o Irão é exactamente a mesma coisa. O mundo Ocidental está a ficar formatado da mesma maneira.

Falou-nos da sua experiência em Timor. Considera que os jornalistas portugueses fizeram um bom trabalho no terreno, dando uma visão de todas as partes envolvidas. Criticou o modo como se tenta uniformizar as realidades, referindo que, na altura, encontrou uma professora portuguesa, em Timor, e que esta se sentia desiludida. Tinha que ensinar Português a partir de um livro que mostrava uma realidade que os meninos timorenses desconheciam. Tinha textos que referiam comboios, metro, neve, hamburgueres, etc...

Falou-nos da informação e da contra-informação, do modo como as agências internacionais controlam/dominam a "verdade" dos factos e como, muitas vezes, os jornalistas sofrem pressões na realização do seu trabalho. Cabe ao consumidor pensar e reflectir sobre o que lê nos jornais e vê na televisão. Apenas temos acesso a uma visão dos factos, que pode até nem ser a mais verosímil.

Confirmou que os excertos das notícias da Al Jazeera, são traduzidas do inglês para Português e que não há uma confrmação daquilo que é dito em árabe. A mim, isto diz-me muito daquilo que acontece no mundo da informação. E o que mais me aborrece é que, muitos de nós, consumimos tudo o que aparece na televisão como uma verdade absoluta.

Hernâni Carvalho, contou-nos algumas histórias da sua vida profissional, dos sustos enquanto jornalista de guerra, de algumas situações difícies, dos guias e da relação que se estabelece, e de algumas atitudes de solidariedade dos nossos jornalistas. Falou de um modo interessante e sem pretensiosismos. Adorámos.

03 maio 2006

30 abril 2006

Veneza

Na vinda a Itália, hoje saímos de Bolonha. Passámos o dia em Veneza.
A cidade correspondeu às expectativas. Amanhã é Verona.

P.S. Foto do Tiago Xavier.

25 abril 2006

Hoje é dia 25 de Abril !



O que é que representa, para os jovens de hoje, o 25 de Abril? Liberdade? Democracia? Ou, é apenas mais um feriado?

Quando frequentei o secundário, na disciplina de história não houve tempo de dar essa parte da matéria...e agora, será que já há?

Estaremos a transmitir os ideais e valores da Revolução às novas gerações?

À volta da leitura da obra "1613" de Pedro Vasconcelos

Na caixa de comentários do post 1613, foi lançada uma questão muito pertinente. Por que é que não escolhemos como a nossa personagem favorita Nenu? Ela é uma mulher com ideias à frente do seu tempo, determinanda, é a partir dela que a acção do romance se desenvolve, mas por que é que não a escolhemos? Ou melhor, o que nos levou a escolher outras personagens em detrimento de Nenu?

Uma análise crítica do livro aqui.

24 abril 2006

As donas de casa desesperadas voltaram ...

Na nossa televisão ainda aparecem algumas séries que valem a pena. As Donas de Casa Desesperadas, A Senhora Presidente, Dr. House, são apenas alguns exemplos. Mas quem é que as consegue ver às horas que passam? Não percebo o critério de escolha destes horários. Para quem trabalha e tenha que se levantar cedo, não dá jeito nenhum.

17 abril 2006

1613

Na passada quarta-feira, emprestaram-me o livro 1613 de Pedro Vasconcelos. Sobre o autor tinha poucas referências, mas muita curiosidade por ouvir falar quem já leu o livro.

O romance começa com o julgamento de D. Manuel Álvares, em Goa. Sobre ele pesa a acusação injusta de ter entregue o Forte de Solor, nas Índias Orientais, aos holandeses.

D. Manuel tudo fez para lutar contra os holandeses e defender o forte. Com poucos homens e poucas munições recorreu à imaginação. Como estratégia usou água quente que lançou sobre os invasores, usou cabeças de aves trazidas e enfeitiçadas pelo curandeiro Molan, esfregou o barco, dos invasores, com uma pasta, feita a partir da planta Karlele, que dava muito comichão. Mas estas artimanhas não são suficientes para travar a força dos holandeses.

Ao lado de D. Manuel encontramos a princesa Nenu. Sobrinha do velho Gunnung, chefe de uma aldeia indígena, que não vê com bons olhos o relacionamento da sobrinha com o português.

D. Luís de Abreu, homem de poucas palavras, foi em tempos um jogador compulsivo a que a necessidade obrigou a enveredar pela carreira militar. É o braço direito de D. Manuel no forte.

Entre os holandeses encontramos o comandante Appolonius Scotte, o almirante Van de Velde, homem cruel e ambicioso, e Peter Cornellius, um verdadeiro esgrimista. Peter, encontra em D. Manuel um adversário à altura, não pela arte de manejar a espada, mas pela criatividade de resolver os confrontos.

Nenu tenta ajudar D. Manuel e pede ajuda ao feiticeiro Buan, pois não cumpriu a promessa que tinha feito ao curandeiro Molan. Depois de cumprir a missão que o feiticeiro Buan exigiu, esta é raptada pelos holandeses.

D. Luís depois de ferido procura suicidar-se no mar. Mas Nenu, consegue fugir e encontra ainda vivo D. Luís, que irá ter um destino fora do comum e fundamental no desenrolar da história.

D. Manuel perde a sua amada e foge, ajudado pelo Frei Belchior. Homem religioso, consciente da importância das outras religiões e um fervoroso leitor.

Ajudado pelo padre Jaime, um grande bibliófilo e fabricante de venenos, D. Manuel procura falar com o vice-rei. Este com o intuito de mostrar o seu poder e de ouvidos cheios, por um soldado que fugiu de Solor e que acusou D. Manuel de pactuar com os holandeses, manda-o prender.

Em Goa, D. Manuel viu-se em grandes trabalhos. Preso e acusado. Sem dinheiro, longe da sua amada Nenu e ainda o compromisso de se tornar um «casado de Goa». Mas nem tudo está perdido. Há forças superiores à vontade dos homens. Nenu e Frei Belchior irão ajudar ...

"1613" é um romance cheio de surpresas. Muita acção e aventura através do reencontro de dois amantes numa viagem de culturas, diferenças religiosas, conventos, livros, feitiçaria, poderes ocultos e a fuga à Inquisição.

Das personagens, simpatizo particularmente com Frei Belchior. Um homem inteligente, astuto e culto.

"1613" é o primeiro romance de Pedro Vasconcelos. Gostei da escrita, da dinâmica do romance, da criatividade, das referências às diferentes armas e às línguas locais.

A nossa história é tão grandiosa. "Dêmos novos mundo ao mundo", temos figuras ímpares, de certo com tanto para se dizer sobre elas, e temos tão poucos romances sobre os nossos feitos. Espero que "1613" seja apenas o começo para que o romance histórico português ganhe alento.

Pedro Tochas ...

No sábado passado, entrei para o Teatro da Trindade, às 23:59. Fui ver o espectáculo Maiores de 18 de Pedro Tochas. O espectáculo tem sensivelmente a duração de 01h30, mas saí do teatro depois das 3 da manhã.

Comecei a reparar no Pedro Tochas, depois de ver os anúncios da Frize e do popular "tou que nem posso". Cheguei a ir ao site da frize para ver os outros anúncios que não passaram na televisão. Mas fui ver este espectáculo por sugestão de um familiar.

Pedro Tochas fez-nos rir do princípio ao fim do espectáculo. Com um humor "non sense", inteligente e sem palavrões.

O espectáculo passou pelo Tsunami, pelo terramoto 1755 e o que fazer durante um terramoto, a ajuda a Timor, as preferências das mulheres através das respostas a perguntas da forma verdade/mentira, os velhos, as viagens, a Páscoa e, obviamente, o sexo. Apesar de o espectáculo seguir uma estrutura, houve muito, muito improviso.

No fim do espectáculo, Pedro Tochas respondeu às perguntas da assistência.

Pela inteligência do humor, pelo sentido de observação, pela expressividade, o Pedro Tochas ganhou mais dois fãs cá em casa.

13 abril 2006

Reparem no azul do céu

Estátua e Mosteiro de S. Vicente de Fora
Largo das Portas do Sol, Lisboa, 13 de Abril de 2006, às 15h18.

09 abril 2006

A minha relação com os livros e a leitura

Quando leio um livro gosto de o sublinhar ou escrever comentários/notas. Faço-o de preferência com lapiseira ou lápis, nunca a caneta.

Leio sempre com um bloco de notas ao lado ou com um marcador de livros que me permita tirar apontamentos.

Não gosto de marcar os livros com marcadores florescentes, sinto que violento o livro. Já não tenho o mesmo sentimento quando se trata de fotocópias.

Em tempos, cheguei a forrar os livros para que a capa não se estragasse mas, já não tenho essa paciência. Para onde quer que vá, ando sempre com um livro e a capa vai sofrendo as consequências ... especialmente na praia.

Gosto de sentir os livros usados. Mas não estragados.

Tenho a mania de comprar livros e às vezes tenho pena de não conseguir que mais pessoas leiam os meus livros. Acontece muitas vezes, comprar um livro, lê-lo e arrumá-lo na estante. Os livros que mais vezes emprestei foram o "Equador" e "O Código Da Vinci", este último lido por quase todos os membros da família mais chegada.

Gosto que me emprestem e recomendem livros.

08 abril 2006

O cemitério dos livros esquecidos ...

Emprestaram-me este livro há já algum tempo. Mas só agora comecei. Do pouco que já li, fascinou-me a ideia de um Cemitério dos Livros Esquecidos. Acho fascinante.

Barcelona - 1945. Daniel vive com o pai. A mãe morreu quando tinha apenas 4 anos.

Um dia, o pai leva-o ao Cemitério dos Livros Esquecidos e diz-lhe:
«- Este lugar é um mistério, Daniel, um santuário. Cada livro, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte. Há já muitos anos, quando o meu pai me trouxe pela primeira vez aqui, este lugar já era velho. Talvez tão velho como a própria cidade. Ninguém sabe de ciência certa desde quando existe, ou quem o criou. Dir-te-ei o que o meu pai me disse a mim. Quando uma biblioteca desaparece, quando uma livraria fecha as suas portas, quando um livro se perde no esquecimento, os que conhecemos este lugar, os guardiães, asseguramo-nos de que chegue aqui. Neste lugar, os livros de que já ninguém se lembra, os livros que se perderam no tempo, vivem para sempre, esperando chegar um dia às mãos de um novo leitor, de um novo espírito. Na loja nós vendemo-los e compramo-los, mas na realidade os livros não têm dono. Cada livro que aqui vês foi o melhor amigo de alguém. (...)»

Carlos Ruiz Zafón, A Sombra do Vento, Dom Quixote, P. 13

03 abril 2006

Flores do campo

A Primavera ... é das estações do ano mais bonitas. Existe uma alegria na terra, nas árvores e nas flores que nos contagia.

01 abril 2006

O espelho chinês

«Um espelho é muitas vezes acessório de sonho.

Um lavrador chinês foi à cidade vender o seu arroz. A mulher pediu-lhe:
- Se fazes favor, traz-me um pente.

Na cidade vendeu o seu arroz e foi beber com amigos. No momento de partir, lembrou-se da mulher. Tinha-lhe pedido qualquer coisa, mas o quê? Impossível recordar-se. Comprou um espelho numa loja para senhoras e voltou para a aldeia.

Deu o espelho à mulher e saiu de casa para ir para o campo. A mulher viu-se ao espelho e pôs-se a chorar. A sua mãe, que a viu chorar, perguntou-lhe a razão daquelas lágrimas.

A mulher estendeu-lhe o espelho, dizendo:
- O meu marido reduziu-me a Segunda Esposa.

A mãe pegou por sua vez no espelho, olhou-o e disse à filha:
- Não tens que te inquietar, ela é já muito velha.»


Jean-Claude Carrière, Tertúlia de Mentirosos, Contos Filosóficos do Mundo Inteiro, Teorema, 1999, p. 72 e 73.