30 dezembro 2005

A Conspiração ...


"A Conspiração" ("Deception Point", 2001) é o último livro de Dan Brown publicado entre nós. Comecei a minha leitura com a expectativa que o autor seguiria o mesmo esquema narrativo do "Código Da Vinci" (em Maio nos cinemas) e de "Anjos e Demónios", mas até agora tenho notado algumas alterações. De Robert Langdon, até à página 95, não há sinais.

Dezembro, mês do Natal ...


Lisboa, Rua Garrett, 29 de Dezembro de 2005, às 17h47.

Lisboa, Rua Garrett, 29 de Dezembro de 2005, às 17h55.

Lisboa, Praça do Comércio, 29 de Dezembro de 2005, às 18h13.

Lisboa, Praça do Comércio, 29 de Dezembro de 2005, às 18h16.

Ontem, ao final da tarde, passei pelo Chiado e Praça do Comércio. A cidade está bonita. As iluminações de Natal dão-lhe um outro encanto e são um bonito espectáculo.

Na Praça do Comércio, a gigante árvore de Natal suscita a curiosidade. São muitas as pessoas que ali se deslocam para a contemplar e, como não podia deixar de ser, tirar umas fotografias. Sim, sim ... eu fui uma delas.

29 dezembro 2005

Imagens de Lisboa

Lisboa, Penha de França, 27 de Dezembro de 2005 às 12h37.

Pássaros

Mudos, mudados, mortificados,
estão nos troncos pousados,
na ânsia solar de telhados,
sob céus brancos e estagnados;
imóveis, parecem empurrados
por ventos abstractos e errados:
sem asas, os corpos inclinados,
mortos nos beirais desolados,
sem cantos nem versos contados.
Frios. Vagos. Astros petrificados.

Nuno Júdice

27 dezembro 2005

Mais Livros ...



Neste Natal, para aumentar a minha lista de leituras, recebi "Xeque ao Rei" de Joanne Harris (desta escritora li "Cinco Quartos de Laranja" e vi a adaptação para cinema do conhecido "Chocolate"); "Sobre a Mão e Outros Ensaios" de João Lobo Antunes (até agora, li "Memória de Nova Iorque e Outros Ensaios" (2002)) e "Sábado" de Ian McEwan, que é para mim um autor a descobrir.

Bem, como votos para 2006 começo já a antever que tenho que dedicar mais tempo à leitura....

Dezembro, mês do Natal ...


Lisboa, Miradouro da Srª do Monte, 27 de Dezembro de 2005 às 12h21.

Depois das festas de Natal, Lisboa desperta pouco a pouco. Nota-se ainda pouco movimento de carros e de pessoas nas ruas. Algumas sortudas só regressam ao trabalho para o ano. Eh! Eh! Eh! ;)

21 dezembro 2005

Bicentenário da Morte de Bocage



















Já Bocage não sou!... À cova escura


Já Bocage não sou!... À cova escura

Meu estro vai parar desfeito em vento...

Eu aos Céus ultrajei! O meu tormento

Leve me torne sempre a terra dura.


Conheço agora já quão vã figura

Em prosa e verso fez meu louco intento;

Musa!... Tivera algum merecimento

Se um raio de razão seguisse pura!


Eu me arrependo; a língua quase fria

Brade em alto pregão à mocidade,

Que atrás do som fantástico corria.


Outro Aretino fui... A santidade

Manchei - ... Oh! Se me creste, gente ímpia,

Rasga meus versos, crê na eternidade!


Manuel Maria Barbosa du Bocage nasce, em Setúbal, no dia 15 de Setembro de 1765. Morre a 21 de Dezembro de 1805. Foi um génio incompreendido numa sociedade decadente e "imbecilizada pelo obscurantismo religioso". Para a posteridade ficou a sua Obra. Que viva Bocage!

20 dezembro 2005

Dezembro, mês do Natal ...

Lisboa, 9 de Dezembro de 2005, às 13h24.

A maior Árvore de Natal da Europa, vista a partir do Castelo de S. Jorge numa tarde de sol.

Portugal tem a maior árvore de Natal da Europa, o Brasil tem a maior do mundo. Que países tão ricos!

17 dezembro 2005

"A Dança" de Henri Matisse

"A Dança", 1910.
Óleo sobre tela, 260 x 391 cm.
Museu do Ermitage

Ao remexer uns papéis antigos, encontrei um postal de "A Dança" que há muito já tinha a sensação de estar perdido. "A Dança" é provavelmente o quadro mais famoso de Henri Matisse e continua a exercer em mim um certo fascínio.

No quadro encontramos representadas cinco figuras femininas (aparentemente), dançando nuas em roda de um eixo imaginário; uma colina ou um monte e o céu, ou talvez a água de um lago ou rio.

Predominam duas cores primárias azul e vermelho (alaranjado) e o verde complementar. As cores criam silhuetas recortadas que se unem num equilíbrio entre o verde e o azul em contraste com o tom cálido. As cores criam unidade e possuem uma luminosidade própria, intensa, valem por si.

O quadro exprime movimento e ritmo - derivado das formas arredondadas e volumosas das figuras que dançam. Estas figuras apresentam uma certa elegância (leveza de formas), assim como sugerem força corporal e muscular que impele ao movimento. As figuras transmitem energia.
A figura inferior central, com posição oblíqua, funciona como o "veio de transmissão" do movimento em elipse, no sentido dos ponteiros do relógio, ritmado como que a marcar o tempo.

O movimento e ritmo apontam para uma certa embriaguez (ou entusiasmo) dionisíaca, no sentido de uma libertação da dualidade humana (em relação à terra). Para o efeito contribui a cor vermelha (cor quente), que pode simbolizar o fogo que aspira ao alto, ou a força da vida, logo um culto iniciático, uma vertente divina; é essencial a tensão sugerida pelo tom cálido entre as cores frias (verde e azul).

A fertilidade é sugerida pela cor vermelha dos corpos nus e pela figura central vertical, devido à forma do ventre.

"A Dança" de Matisse alude à obra de Igor Stravinsky "A Sagração da Primavera". Sob certo ponto de vista, a representação de figuras que dançam num frenesim embriagante e primitivo, em "A Dança" alude ao ritmo diabólico e demolidor de "A Sagração da Primavera".

15 dezembro 2005

Viagem ...

Viajo pela selva amazónica através das palavras de Ferreira de Castro. Conheci o Alberto, o Firmino, o Juca Tristão, entre outros. Acompanho o trabalho dos seringueiros, as suas amarguras, dificuldades e tensões ... A minha viagem ainda não terminou.


Proposta de leitura via Leitura partilhada

14 dezembro 2005

Sunrise: A Song of Two Humans ...

Indre, de rosto inocente e com a doçura de um anjo louro, é a mulher de Anses. Margaret, mulher da cidade, sedutora, libertina, aproxima-se e enfeitiça Anses (a força).

A vamp, Margaret, irá tentar "destruir a respiração desses dois seres". Num "pacto faustico" com Anses irá premeditar a morte de Indre. Anses preso pela tentação começa a arruinar-se. Mas como que embruxado por Margaret, tenta cumprir o pacto.

Quebrado o feitiço, de Anses, surge o remorso e a tentativa de reparação da culpa através da reconciliação com Indre. Mergulham na cidade. A cidade como lugar de tentação, de desenvolvimento, mas também como lugar de festa e diversão.

De regresso, dá-se a prova final. A descida ao Hades, o resgate e o triunfo do bem sobre o mal.

«Sunrise: A Song of Two Humans», de F.W. Murnau, transporta-nos para um universo de polaridades: claro/escuro, bem/mal, anjo/demónio, puro/impuro, sagrado/profano, alegria/tristeza, amor/ódio, campo/cidade, etc.

Murnau jogou com os planos, com sobreposições e simbolizações. O resultado final é uma verdadeira obra prima do cinema. Ainda em exibição no Nimas.

12 dezembro 2005

A Cabeça de Medusa ...


«O único herói capaz de cortar a cabeça à Medusa é Perseu, que voa de sandálias aladas, Perseu que não volta os olhos para o rosto da Górgona mas só para a sua imagem reflectida no escudo de bronze. (...) Para cortar a cabeça de Medusa sem se deixar petrificar, Perseu apoia-se no que há de mais leve, o vento e as nuvens; e fixa o olhar no que só poderá revelar-se-lhe numa visão indirecta, numa imagem captada pelo espelho. (...)

A relação entre Perseu e a Górgona é muito complexa: não acaba com a decapitação do monstro. Do sangue da Medusa nasce um cavalo alado, Pégaso; o peso da pedra pode-se converter no seu contrário; com uma patada no Monte Hélicon, Pégaso faz jorrar a fonte em que bebem as Musas. (...) Quanto à cabeça cortada, Perseu não a abandona mas leva-a consigo, fechada num saco; quando os inimigos estão prestes a vencê-lo, basta que ele a mostre, erguendo-a pela cabeleira de serpentes, e este sangrento despojo torna-se arma invencível nas mãos do herói: uma arma que ele só usa em casos extremos e só contra quem merecer o castigo de se transformar em estátua de si próprio.»

Italo Calvino, Seis propostas para o próximo milénio, Teorema, 1994,
( p. 18 e 19. )

Há dias assim. Há momentos assim. Em que não conseguimos escapar ao olhar petrificante de Medusa. Sofremos uma petrificação lenta, lenta ... e o mundo pesa. Isto deve ser destes dias frios!!! ;)

10 dezembro 2005

Há burros no Castelo ...

Está patente, no Castelo São Jorge, até 31 de Janeiro de 2006, a exposição "Hardware + Software = Burros" do fotógrafo italiano Oliviero Toscani. A exposição já esteve patente em Itália e em Santa Maria da Feira, no Imaginarius - Festival Internacional de Teatro de Rua.

Antigamente, o burro era um animal de grande ajuda para as gentes que trabalhavam no campo. De animal de carga para uns, para outros o único meio de transporte e para quase todos um auxílio imprescindível na amanha da terra. A vida muda. O mundo muda. Os mais velhos deixam de herança, aos mais novos, a terra onde toda a vida labutaram. Os mais novos ou partem para a cidade à procura de uma vida menos dura ou continuam a cuidar da terra, mas em vez dos burros, machos ou mulas, arranjam a maquinaria necessária para tais tarefas.

Onde havia animais, agora há máquinas. Tractores. Ceifeiras. Máquinas de apanha. Máquinas de semear ... Os currais transformam-se em barracões para albergar a parafernália agrícola. É o progresso, é a tecnologia a conquistar terreno em prol da produtividade. Melhor? Pior? Pelo menos o trabalho é menos duro ... mas os burros estão em vias extinção.

Não são só os burros que estão em vias de extinção. Com os burros extingue-se também uma ideia de mundo rural, as carroças, carros de bois, alforges, as vindimas e o pisar das uvas, o modo de trabalhar a terra, etc ... até o próprio ritmo de vida rural. As tradições já não são o que eram.

O homem criou a tecnologia. O homem adoptou a tecnologia. A tecnologia vicia o homem e as coisas simples perdem-se, esquecem-se. E os burros estão em vias de extinção.

08 dezembro 2005

Dezembro, mês do Natal ...

Lisboa, Rua Morais Soares, 07-12-2005, 23h21.

Dezembro é dos meses mais especiais do ano. Há outra vida nas ruas, outro colorido, as montras enfeitam-se para conquistar a vontade consumista dos transeuntes.

O Natal é das épocas mais bonitas do ano. As ruas enchem-se de motivos natalícios, com luzes e cor. As nossas casas ganham o presépio, a árvore de natal e muitas luzes a piscar.

Apesar de ser uma época de excessos, o importante é que cada um de nós não perca a magia. Haja alegria e muitos presentes! ;)

06 dezembro 2005

A arte de ser feliz

Lisboa, Portas do Sol, 04-12-2005, 10h23.

Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.

Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.

Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. Às vezes, um galo canta. Às vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

Cecília Meireles

05 dezembro 2005

Chocolate Quente d' Laranja com Canela

O aroma delicado da canela e da laranja misturados num delicioso chocolate quente de Inverno.

Ingredientes:

- 4 colheres de sopa cheias de leite em pó
- raspas de casca de laranja
- canela em pau a gosto
- 1 tablete de chocolate meio amargo (200g)


Preparação:

Dissolva o leite em pó em meio litro de água e leve a aquecer, acrescentando as raspas de laranja e a canela em pau.

Quando o leite estiver bem quente, antes do ponto de fervura, retire do fogão e passe por uma peneira, para retirar as raspas de laranja e a canela.

Divida o chocolate em quadradinhos e coloque 4 quadradinhos por cada chávena de chá.

Despeje o leite quente e mexa até que o chocolate derreta e se dissolva no leite.

Sirva quente.


Enviado por G.

P.S. Já agora, o nome Laranja Com Canela é inspirado numa sobremesa marroquina.

28 novembro 2005

Crucifixos nas escolas ...

No seguimento dos comentários, "E um estado laico não pode permitir que continuem presentes símbolos de uma única religião nos seus estabelecimentos de ensino.", ao post "Crucifixos nas escolas" do Farol das Artes, aproveito para perguntar: quer-se dizer que no caso hipotético de estarem presentes símbolos de todas as religiões já não haverá problemas? Do género "tudo ou nada"?

Ou será preferível uma postura de neutralidade absoluta, advogando a remoção de todos e quaisquer símbolos religiosos? E quando deixar de ser apenas uma questão de símbolos materiais? E quando a questão passar para os conteúdos leccionados? O que fazer?

Por último, não deverá uma escola adequar-se e respeitar (nos símbolos, conteúdos, etc.) a comunidade em que se insere? Isto tudo para chegar à pergunta: como e quem é que deve definir os limites?

Apesar de me inclinar mais para a não existência de símbolos religiosos nos estabelecimentos de ensino público (estatais), ainda não consegui chegar a uma conclusão definitiva.

27 novembro 2005

Guerra dos Mundos ...

A Guerra dos Mundos é um filme de Steven Spielberg, baseado na obra de H.G. Wells, com o mesmo nome, de 1898. War of the Worlds possui uma outra versão cinematográfica, realizada em 1953, por Byron Haskin.

A par de uma ameaça extraterrestre, que pretende destruir a espécie humana e o planeta tal qual o conhecemos, desenrola-se a história de uma família. Ray Ferrier (Tom Cruise), divorciado e pai de dois filhos, Robbie (Justin Chatwin) e Rachel (Dakota Fanning). As relações entre eles não são as melhores. Ray é nitidamente um pai ausente, que sabe muito pouco dos seus filhos.

A acção começa quando a mãe, Mary Ann (Miranda Otto) e o seu actual marido, deixam os filhos com Ray e dirigem-se para Boston, onde vão passar o fim-de-semana. Entretanto, a cidade é abalada por sinais de uma forte tempestade e começa uma sucessão de assustadores relâmpagos. A calma aparente da cidade é interrompida por máquinas, que irropem do solo, e que começam a matar os humanos e restantes seres vivos, ou a reduzi-los a pó com um raio fulminante (deixando as roupas intactas) ou num processo mais elaborado, capturando-os e tirando-lhes o sangue.

A principal questão do filme centra-se no sentimento de impotência por parte dos humanos em alterar o rumo das coisas, nomeadamente face a uma ameaça externa. O comportamento dos extraterrestre é análogo ao comportamento dos humanos para com as outras espécies e muitas vezes com a sua própria espécie. Muitos são os livros e filmes que nos colocam perante a possibilidade de uma ameaça extraterrestre. Enquanto espécie não nos imaginamos submissos a outra espécie. Parece que temos receio que nos façam aquilo que fazemos aos "outros"!?

Outro aspecto interessante, presente no filme, é o da natureza humana. Em situações de crise e de sobrevivência somos capazes do melhor e do pior. Ray acaba por descobrir os seus filhos. Aquilo que eles fazem, do que gostam e que problemas têm. Os filhos começam a admirar o pai, deixando de ser alguém com quem passavam uns dias de tempos a tempos, para sentirmos que a partir desta provação, passa a ser uma referência. O pior, revela-se quando menos esperamos, numa situação de crise todos somos potenciais assassinos. Para proteger a nossa vida e dos outros de quem gostamos, também somos capazes de acções moralmente reprováveis. Em desespero de causa, quando, por exemplo, no filme, a multidão luta e mata pela posse do único carro em funcionamento. Ou em situações racionalizadas até ao limite, onde matar o outro é o "único" caminho possível para assegurar a sobrevivência, neste caso de Ray e da filha.

O filme chama ainda a nossa atenção para a dependência que a espécie humana tem em relação à tecnologia: energia eléctrica, telemóveis, carros, etc. ... Estamos tão dependentes de determinados objectos que já é difícil pensar a nossa vida sem eles. Já pensaram o que seria se, por exemplo, durante um mês seguido não houvesse telemóveis (e acesso à Internet ;) )!?

26 novembro 2005

Lisboa pela manhã ...

Graça. Lisboa. 12h04.

Miradouro da Graça. 12h06.

Chove, faz sol e frio, mas Lisboa mantém sempre o mesmo encanto, a mesma luz. Gosto desta cidade.

24 novembro 2005

As aulas de substituição ... (III)

Mas tanto barulho acerca das aulas de substituição, porquê?

Não se quer compreender que os alunos, sendo a razão de ser da escola, têm o direito de lhes satisfazer o contrato (implícito) de assistir às aulas?

Não se quer perceber que este assunto já foi resolvido em muitas escolas (públicas e privadas) tanto cá em Portugal como lá fora?

Porquê tanta falta de vontade para resolver um problema, que é acima de tudo, de carácter organizativo? Haverá assim tanta falta de vontade para se organizar escalas e materiais pedagógicos para quando um professor falta?

Porque é que não se aproveita um evento de carácter excepcional (a falta de um professor) para criar uma oportunidade de orientar e fornecer aos alunos saberes e competências complementares, na mesma área científica ou não (consoante o grupo pedagógico do professor substituto), utilizando materiais previamente elaborados por professores dessa mesma escola? Ou vamos reduzir a profissão ao picar do ponto e dar aulas (em série)?

[ Posts relacionados: Aulas de substituição I e II ]

22 novembro 2005

Dias Exemplares de Michael Cunningham

Michael Cunningham, escritor norte-americano, esteve hoje no El Corte Inglés, em Lisboa, para o lançamento do seu último livro "Dias Exemplares", publicado pela Gradiva. A apresentação esteve a cargo de Nuno Galopim.

O autor de "As horas", "Sangue do Meu Sangue" e "Uma Casa no Fim do Mundo" referiu que os seus leitores não terão de esperar mais sete anos até ao seu próximo romance. Para ele, a sua última obra é sempre a melhor. Referiu também a importância da tradução.

Segundo Nuno Galopim, "Dias Exemplares" é uma obra com três histórias sobre Nova Iorque: Nova Iorque da Revolução Industrial (Dentro da Máquina), Nova Iorque na actualidade, obsecada com o terrorismo (A Cruzada das Crianças) e Nova Iorque no futuro (Uma Espécie de Beleza).

As obras "As Horas" e "Uma Casa no Fim do Mundo" já foram adaptadas ao cinema.

Na Tempestade ... conto filosófico

«Nasreddin Hodjâ, como tantos «loucos» ou pobres de espírito, caracteriza-se muitas vezes por um comportamento inesperado que parece ilógico, insensato.

Assim, vemo-lo sentado na parte de trás de uma piroga que atravessa conforme pode um braço de mar. À sua frente, dois homens remam vigorosamente. Nasreddin nada faz.

De súbito, levanta-se uma tempestade. Revela-se violenta. Perigosas vagas sacodem a piroga. Os dois remadores esgotam-se a lutar contra o mar, que a cada instante ameaça engolir o frágil esquife.

Voltam-se para deitar uma olhadela a Nasreddin e vêem-no, muito estranhamente, a tirar água do mar e a deitá-la dentro da piroga. Espantados, gritam:

- Que fazes? Estás louco? É o contrário o que é preciso fazer! Porque metes água dentro da piroga?

- A minha mãe - responde Nasreddin - sempre me disse que é preciso estar do lado dos mais fortes.»

Jean-Claude Carrière, Tertúlia de Mentirosos, Contos Filosóficos do Mundo Inteiro, Teorema, 1999, P.330