21 novembro 2005

The Rest is Silence II

A obra The Rest is Silence II (2003) de Noé Sendas, está em exposição no Centro de Arte Moderna José Azeredo Perdigão, em Lisboa.

Num quarto escuro, encontramos sentados de costas com costas, duas figuras humanas com as mãos nos bolsos, postura curvada e os rostos ocultados. A separá-los apenas um espelho. Não se ouve nada. Apenas silêncio...

Perante esta imagem, aguardava a qualquer momento que houvesse movimento. Que uma das figuras levantasse a cabeça e que a outra, com a cabeça tapada, começasse a respirar. O silêncio é confrangedor. A postura das figuras e os rostos escondidos deixam-nos inquietos.

The Rest is Silence perturba, não nos deixa em silêncio ...

20 novembro 2005

Lisboa pela manhã ...

Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian, 09h43.

A chuva cai sem dar descanso a quem anda na rua. As árvores despem-se ao sabor do vento. Nestes dias, cinzentos e chuvosos, apetece correr para casa e passar o resto do dia enroscada no sofá. Como companhia o livro de Richard Zimler, Goa ou O Guardião da Aurora e muito chá, de preferência, quentinho ...

18 novembro 2005

As aulas de substituição ...

Considero que, por um lado, assistir às aulas é um dever de qualquer aluno, por outro lado, as aulas são um direito que os alunos têm, não só para aprenderem conteúdos, mas também como forma de aprenderem/corrigirem atitudes e/ou comportamentos. Portanto, as aulas de substituição fazem todo o sentido.

A questão que normalmente colocam é: fará sentido colocar um professor de filosofia a substituir um professor de matemática?

Para mim, esta questão não indica o principal problema do mau estar em relação às aulas de substituição. Mas mesmo assim, porque não. A aula de substituição é uma forma de manter o contrato de ensino/aprendizagem com o aluno. Agora, estas aulas exigem trabalho, esforço e coordenação por parte da escola e dos grupos disciplinares.

Os grupos disciplinares têm que produzir materiais para as aulas de subsituição. É certo que dá trabalho. Mas não é impossível.

Quando um professor já sabe antecipadamente que vai faltar, deverá deixar a aula de substituição preparada. Ou seja, se o professor de matemática vai faltar deverá deixar materiais preparados para a aula (ex: uma ficha de exercícios). Se assim for, o professor de filosofia terá que supervisionar e manter a disciplina na sala de aula. Isto levanta problemas? Porquê?

Quando não se têm materiais da disciplina do professor que falta, o professor que vai substituir deve usar as suas competências pedagógicas. Criar materiais próprios ou usar os disponibilizados pelo seu grupo disciplinar para estas aulas. Enfim, exercitar competências que promovam atitudes construtivas, disciplina de e no trabalho, com o intuito de promover comportamentos positivos.

O que é inadmissível é que haja alunos a terem em média 3 furos por semana, tal como revela um estudo publicado esta semana. Se os professores fossem obrigados a compensar as aulas em que faltaram, a conversa seria outra ... ;)

Os alunos não podem ser prejudicados pelo absentismo dos professores. Deveriam ser os primeiros a exigir ter aulas. É a sua formação que está em causa. E numa sociedade cada vez mais competitiva, só irão singrar os mais bem preparados.

Deveria ser prática comum, no final de cada trimestre, os encarregados de educação serem informados, juntamente com as notas dos seus educandos, do absentismo dos professores.

É curioso verificar que o problema do absentismo verifica-se, com esta dimensão, apenas no ensino público. Porque será?

14 novembro 2005

Mais uma pequena grande causa ...


Simplesmente genial! :)

13 razões, algumas delas bastante divertidas, para mudar de browser em:
www.killbillsbrowser.com.


P.S.: Não aconselhável a pessoas com susceptibilidades à flor da pele.

P.S.S.: Detector de enviesamento ("bias") activado!

10 novembro 2005

Colisão ...


Crash (Colisão) é um filme de Paul Haggis. Este filme reforça a ideia que qualquer pessoa é capaz do melhor e do pior. Todos temos preconceitos, independentemente de pensarmos que não.

Não considero o filme apenas um retrato da sociedade americana, penso que é o retrato de um pouco de todos nós e do mundo em que vivemos.


ADENDA [ Professor Pardal ]: Essa do retrato fiel é um pouco forte demais! Por razões comunicacionais e artísticas, acho que os preconceitos e estereótipos foram todos "amplificados" de maneira a que o filme funcionasse (melhor). De qualquer maneira, é um filme de cinco estrelas.

Já agora, uma provocação: Será possível viver sem preconceitos e estereótipos? ;)

07 novembro 2005

O lado bom da torrada ... conto filosófico

« Uma pergunta verdadeiramente incómoda foi um dia feita a um rabino, como nos conta uma das mais saborosas histórias judias.

É na verdade a história de um milagre. Certo dia, um homem deixou cair, por descuido, a sua torrada com manteiga e nesse dia, por extraordinário que pareça, não caiu sobre o lado que tinha a manteiga. Contrariamente a todos os hábitos, a todas as crenças, contrariamente ao que afirmam as Escrituras, a torrada caiu do lado do pão seco.

Tratava-se sem dúvida alguma de um milagre.

A notícia espalhou-se a toda a velocidade lá na terra, as pessoas juntavam-se e lançavam-se em profundas discussões. Por que razão, naquele dia, a torrada não teria caído do lado da manteiga?

Acorreram à sinagoga, falaram do assunto ao rabino que considerou a questão muito embaraçosa e pediu todo um dia e uma noite de reflexão e oração.

Era um homem com grande fama de sábio. Durante todo o dia e noite jejuou, reflectiu, orou e consultou os livros santos.

No dia seguinte, o rosto fatigado mas iluminado pela verdade, dirigiu-se à casa onde se tinha dado o pretenso milagre. Toda a cidade foi com ele. Pediu que o levassem junto do homem e disse-lhe:
- A solução é simples e vou dizer-ta. Não foi a torrada que caiu mal. Foste tu que barraste a manteiga do lado errado. »

Jean-Claude Carrière, Tertúlia de Mentirosos, Contos Filosóficos do Mundo Inteiro, Teorema, 1999, p.291

06 novembro 2005

Lisboa pela manhã ...

Janelas Verdes, 9h5o.

Jardim em frente ao Museu Nacional de Arte Antiga. As manhãs estão mais frias. No entanto, o sol espreita e convida a um momento de pausa.

05 novembro 2005

Nove Contos

Terminei esta semana a leitura do livro Nove Contos de J. D. Salinger, editado pela Difel. Esteve em análise, até 31 de Outubro, no Leitura Partilhada.

Os contos transportam-nos para um mundo cheio de personagens: Muriel, Seymour e Sybil (Um Dia Ideal para o Peixe-Banana); Mary Jane, Eloise e Ramona (Pai Torcido no Connecticut); Selena, Ginnie Mannox e o irmão de Selena (Pouco Antes da Guerra com os Ésquimós); John Gedsudski, Mary Hudson e o bando do Homem-Gargalhada (O Homem-Gargalhada), Boo Boo e Lionel (Em Baixo no Bote), Esmé, Charles e o soldado americano (Para Esmé - Com Amor e Sordidez); homem grisalho, rapariga e Arthur (Linda Boca e Verdes Meus Olhos); Bobby, M. Yoshoto e Madame Yoshoto e Jean Daumier Smith (A Fase Azul de Daumier-Smith) e Teddy, Booper e Nicholson.

Os contos escondem outros contos dentro do conto. A história de um conto conduz-nos a outras histórias que se interligam. O Homem-Gargalhada é o exemplo mais evidente.

Dos nove contos, o que mais gostei foi "A Fase Azul de Daumier-Smith". Pela inteligência de Jean, pelo ambiente da escola Les Amis de Vieux Maîtres, pelas personagens de M. Yoshoto e Madame Yoshoto, pelos desenhos/pinturas e pela freira Irma.

É um livro que vale a pena.

03 novembro 2005

A Marcha dos Pinguins

Ontem vi, na televisão, a apresentação do filme A Marcha dos Pinguins e fiquei com imensa curiosidade em ir ver este filme.

Realizado por Luc Jacquet, o filme é um documentário sobre a viagem que os pinguins-imperador realizam para acasalar.

Foi filmado em condições climatéricas adversas, mas o resultado final, pelas imagens que vi, pareceu-me belíssimo. Sensível. Com uma fotografia excepcional.

"A Marcha dos Pinguins" é um documentário filmado/contado em história de amor. A música é inspiradora.

A Marcha dos Pinguins

The Frozen World
Emilie Simon

Won't you open for me
The door to your ice world
To your white desert

I just want to stare
Out over these snowfields
Until we are one again

We belong to the frozen world

When the ice begins to thaw
Becomes the sea
Oh, you will see
How beautiful we can be

Everything is calm
At the end of the planet
In our white desert

The sun kissed the ice
It glistens for me
And we are one again
We belong to the frozen world

When the ice begins to thaw
Becomes the sea
Oh, you will see
How beautiful we can be

When the ice begins to thaw
Becomes the sea

As próximas leituras II ...

Música para: Para contrariar o ambiente cor-de-rosa ...

5.01 AM (The Pros and Cons of Hitchhiking)
por Roger Waters


An angel on a Harley
Pulls across to greet a fellow rolling stone
Puts his bike up on it's stand
Leans back and then extends
A scarred and greasy hand...he said
How ya doin bro?...where ya been?...where ya goin'?
Then he takes your hand
In some strange Californian handshake
And breaks the bone
Have a nice day

A housewife from Encino
Whose husband's on the golf course
With his book of rules
Breaks and makes a 'U' and idles back
To take a second look at you
You flex your rod
Fish takes the hook
Sweet vodka and tobacco in her breath
Another number in your little black book

These are the pros and cons of hitchhiking
These are the pros and cons of hitchhiking
Oh babe, I must be dreaming
I'm standing on the leading edge
The Eastern seaboard spread before my eyes
"Jump" says Yoko Ono
"I'm too scared and too good looking" I cried
"Go on", she says
"Why don't you give it a try?
Why prolong the agony all men must die"
Do you remember Dick Tracy?
Do you remember Shane?
And mother wants you
Could you see him selling tickets
Where the buzzard circles over
Shane
The body on the plain
Did you understand the music Yoko
Or was it all in vain?
Shane
The bitch said something mystical "Herro"
So I stepped back on the kerb again

These are the pros and cons of hitchhiking
These are the pros and cons of hitchhiking
Oh babe, I must be dreaming again

These are the pros and cons of hitchhiking

02 novembro 2005

Música para: Partir corações ...

Everlasting love
por Jamie Cullum

Hearts gone astray
Deep in her when they go
I went away
Just when you needed me so
You won't regret
I'll come back begging you
Won't you forget
Welcome love we once knew

Open up your eyes
Then you'll realize
Here I stand with my
Everlasting love

Need you by my side
Girl to be my pride
Never be denied
Everlasting love

Hearts gone astray
Deep in her when they go
I went away
Just when you needed me so
You won't regret
I'll come back begging you
Won't you forget
Welcome love we once knew

Open up your eyes
Then you'll realize
Here I stand with my
Everlasting love

Need you by my side
Girl to be my pride
Never be denied
Everlasting love

From the very start
Open up your heart
Feel that you're falling
Everlasting love

Need a love to last forever
Need a love to last forever
Need a love to last forever
Need a love to last forever

I Need a love to last forever

As próximas leituras ...

01 novembro 2005

Engano na pessoa ... conto filosófico

« Um pequeno comerciante judeu que se chamava Simão só tinha um objectivo: a riqueza. Poupava moeda a moeda, cortava na habitação, no vestuário, na alimentação, com extraordinária perseverança. Tudo lhe parecia demasiado belo, demasiado caro. Até o indispensável lhe parecia supérfluo. Levava uma vida miserável.

Ao cabo de uns trinta anos neste regime - isto tinha lugar no fim do século passado - Simão, tal como previra, ficou rico. Num instante mudou de vida: deixou de trabalhar, foi ao cabeleireiro, à manicura, comprou roupas de grande luxo nos melhores alfaiates de Paris e viajou até à Côte d´Azur.

No primeiro dia, em Nice, quando ia a sair de um grande hotel de sapatos impecáveis, calças justas, casaco novo no melhor tweed escocês, gravata, bengala, chapéu, e meteu pela Promenade des Anglais, chocou com ele violentamente uma tipóia.

O choque foi fatal. Simão jazia na calçada, mal respirando, desarticulado. Mirones compadecidos juntaram-se em redor do moribundo.

Nesse momento, marcado pela dor, os olhos cheios de lágrimas particularmente amargas, Simão ergueu o seu último olhar ao céu e disse:
- Porquê? Porque me deste a morte hoje?

Então, para grande espanto dos mirones, as nuvens entreabriram-se e ouviu-se a voz de Deus responder:
- Para te falar francamente, Simão, não te tinha reconhecido.»

Jean-Claude Carrièrre, Tertúlia de Mentirosos, Contos Filosóficos do Mundo Inteiro, Teorema, 1999, p.121

30 outubro 2005

Lisboa pela manhã ...

Jardim do Campo Grande, 09h55.

O Verão partiu e o Outono instala-se confiante. A chuva, espera-se, anuncia a vinda do tempo frio.

29 outubro 2005

Lisboa pela manhã ...

Miradouro da Graça, 10h50.

Nos dias de Outono, Lisboa tem outra luz. A cidade transforma-se. Deixando descobrir uma outra Lisboa.

28 outubro 2005

Parabéns à Rua da Judiaria

Ontem, dia 27, a Rua da Judiaria fez dois anos. É um dos sítios que visito diariamente, com a certeza de que irei aprender coisas novas.

Já houve dias, em que os pequenos contos foram uma fonte de inspiração! Obrigada. Um grande bem-haja para o Nuno Guerreiro.

Aqui fica uma singela homenagem através de e pelas Palavras:


You Are Welcome To Elsinore
de Mário Cesariny in Pena Capital

Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mão e as paredes de Elsinore

E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmos só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar.

26 outubro 2005

Actuação Escrita

Pode-se escrever

Pode-se escrever sem ortografia

Pode-se escrever sem sintaxe

Pode-se escrever sem português

Pode-se escrever numa língua sem saber essa língua

Pode-se escrever sem saber escrever

Pode-se pegar na caneta sem haver escrita

Pode-se pegar na escrita sem haver caneta

Pode-se pegar na caneta sem haver caneta

Pode-se escrever sem caneta

Pode-se sem caneta escrever caneta

Pode-se sem escrever escrever plume

Pode-se escrever sem escrever

Pode-se escrever sem sabermos nada

Pode-se escrever nada sem sabermos

Pode-se escrever sabermos sem nada

Pode-se escrever nada

Pode-se escrever com nada

Pode-se escrever sem nada

Pode-se não escrever.


de Pedro Oom
( Contraponto nº 2, Cadernos de Crítica e Arte, 1952 )

25 outubro 2005

Música para: Um dia de nostalgia ...

Rosa
por Rodrigo Leão


Hoje o céu está mais azul,
eu sinto...
Fecho os olhos.
Mesmo assim eu sinto...
O meu corpo estremeceu.
Não consigo adormecer.

Refrão:
Nem o tempo vai chegar
Para dizer o quanto eu sinto
Você longe de mim.
É uma espécie de dor...
Hoje o céu está mais azul
eu sinto...

Olho à volta
E mesmo assim eu sinto
Que este amor vai acabar
e a saudade vai voltar...

Refrão

Já não sei o que esperar
Dessa vida fugidia...
Não sei como explicar
Mas eu mesmo assim o amo.

24 outubro 2005

Figura de Velho ... ou as marcas da passagem do tempo

"Figura de Velho" de Rembrandt Harmensz van Rijn (1606-1669) é outro dos quadros que contemplo, sempre com agrado, cada vez que visito o Museu Calouste Gulbenkian.

Neste quadro, Rembrandt retrata a velhice e a condição de envelhecer. A velhice da pessoa retratada, da qual se desconhece a identidade, é-nos dada através da postura ligeiramente curvada, pelo rosto e pelas mãos.

Rembrandt utiliza jogos de luz entre o claro/escuro e o escuro/muito escuro. A luz incide, apenas, sobre o rosto e as mãos. O rosto, é sempre a parte mais exposta e mais nua ao olhar, com rugas, barba branca, olhar triste, solitário e impotente. As mãos, são a seguir ao rosto a grande expressão da velhice, seguram um pau que lhe serve de bengala. A "Figura de Velho" apresenta-se, sentado, com um manto sobre os ombros e um chapéu com uma pena. A doença, a dependência para com os outros e o desinteresse pelas coisas, são quase sempre consequências de irmos envelhecendo. Este quadro transmite-nos tudo isso, sobretudo pelo olhar.

A morte é uma certeza na vida de qualquer um. É essa certeza que nos torna humanos. Este quadro expressa, também, esse inexorável destino que a todos aguarda.

Sobre o quadro, José Gil na obra «Sem Título» - Escritos Sobre Arte e Artistas refere: «Há no retrato uma força mágica que equivale a um contacto real com o outro representado, uma espécie de acção que é, primeiro, um encontro, depois, um acontecimento, enfim, um atar de elos (que leva a diálogos interiores com a imagem). «Força mágica» não é uma metáfora, mas indica um efeito real da imagem do rosto: a força que desencadeia age realmente, vivifica, circula. É uma força de afecto. O retrato não nos fala apenas, no seu «quase falar»: insere-nos numa vasta rede colectiva de outras forças de afecto. Porque o retrato traz no olhar, na boca, nas rugas, nas infinitas pequenas percepções que dele emanam, um, dois, vários mundos. Um retrato é sempre uma multidão»

Há algo de inquietante, neste retrato, que nos faz reflectir sobre a nossa própria condição.

23 outubro 2005

Música para: Gajos impressionarem as suas gajas ...

The Blowers Daughter
por Damien Rice

And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it is
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?

I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind...
My mind...my mind...
'Til I find somebody new

20 outubro 2005

A mais bela mulher de Antuérpia ...

Há quadros que nos tocam. Dizem-nos algo. Aguçam-nos a curiosidade. Despertam sentimentos. O "Retrato de Helena Fourment", pintado por Peter Paul Rubens (1577 - 1640) e exposto no Museu Gulbenkian, em Lisboa, é um desses quadros.

O que me despertou a atenção foi a verticalidade e imponência de Helena, dada em comparação com a linha do horizonte. Esta figura elegante, magnífica, grandiosa, ocupa toda a tela. É uma presença que nos interpela. Olha para nós.

Entre Helena Fourment e Rubens existiu uma história de amor. E essa, é outra história que o quadro nos convida a descobrir. Depois da morte, aos 34 anos, da sua primeira mulher (Isabel Brandt), Rubens casa, em 1630, com Helena Fourment de 16 anos, filha mais nova de Daniel Fourment, comerciante de sedas e tapeçarias. Tiveram 5 filhos (o quinto nasceu oito meses após a morte de Rubens).

Helena Fourment trouxe uma nova dimensão à vida e pintura de Rubens. Ela transformou-se na sua fonte de inspiração. Foi a sua Vénus. Este retrato confirma o incansável entusiasmo de Rubens pela "mais bela mulher de Antuérpia".

Música para: Quando eles (também) estão apaixonados ...

A Man Is In Love
por The Waterboys

A man is in love, how do I know?
He came and walked with me, and he told me so
In a song he sang, and then I knew
A man is in love with you

A man is in love, how did I hear?
I heard him talk too much whenever you're near
He whispered your name when his eyes were closed
A man is in love and he knows

A man is in love, how did I guess?
I figuered it out while he was watching you dress
He'd give you his all, if you'd but agree
A man is in love and he's me


P.S.: Isto de serem elas só a colocar músicas cor de rosa tem que acabar! ;)

18 outubro 2005

Música para: una paloma triste

Cucurrucucu Paloma

Por Caetano Veloso

Dicen que por las noches
no más se le iba en puro llorar;

dicen que no comía,
no más se le iba en puro tomar.

Juran que el mismo cielo
se estremecía al oír su llanto,
cómo sufrió por ella,
y hasta en su muerte la fue llamando:

Ay, ay, ay, ay, ay cantaba,
ay, ay, ay, ay, ay gemía,
Ay, ay, ay, ay, ay cantaba,
de pasión mortal moría.

Que una paloma triste
muy de mañana le va a cantar
a la casita sola
con sus puertitas de par en par;

juran que esa paloma
no es otra cosa más que su alma,
que todavía espera
a que regrese la desdichada.

Cucurrucucú paloma, cucurrucucú no llores.

Las piedras jamás, paloma,
¿qué van a saber de amores?

Cucurrucucú, cucurrucucú,
cucurrucucú, cucurrucucú,
cucurrucucú, paloma, ya no le llores

17 outubro 2005

Aulas de substituição nas escolas ...

Sobre as aulas de substituição, Daniel Sampaio escreveu uma crónica, no sábado, na revista Xis, da qual destaco o seguinte:

«(...) Defendo que uma "aula de substituição" deve ser tudo menos uma aula formal, com matéria, fichas e exercícios, antes deve proporcionar um ENCONTRO ORGANIZADO e LIVRE entre um grupo de jovens e um adulto disponível: haverá alguma coisa mais importante do que isso, no contexto de uma escola?
Meu caro professor se vai dar uma aula dessas, comece por falar de si: o seu nome completo, o que faz, como é a sua família, do que gosta ou não gosta (animais, clubes, tempos livres, aspirações pessoais...). Depois ouça os alunos de forma organizada, diga uma graça adequada para quebrar o gelo inicial, esteja atento aos temas que eles enunciam) de forma tímida. Nunca deixe que se atropelem ou desorganizem a conversa! Se encontrar um silêncio persistente, fale da televisão, discuta uma notícia de jornal, traga um tema da escola para discussão participada.»

É muito gratificante conversar e estar com os alunos. O professor, independentemente da disciplina que lecciona, tem o dever de promover a formação integral do aluno. Muitos dos nossos estudantes lêem mal, escrevem mal, lidam mal com os números, não conseguem dar uma opinião fundamentada sobre temas que os envolvem e não têm vontade de aprender a aprender. Às vezes pensam, que só querem ter uma formação especializada em determinada área, mas esquecem-se que isso não os desliga do mundo em que estão inseridos. E que mais cedo ou mais tarde, o mundo os interpela e exige a sua participação, seja ela muito ou pouco informada.