16 outubro 2005

Grito de Ipiranga ...

Excelentes sonoridades para acompanhar sessões de trabalho (nocturnas):

Blow Up de Richard Galliano e Michel Portal.





[ Afinal de contas, este não é exclusivamente um blogue de e para gajas! ;) ]

À Espera no Centeio

Terminei hoje a leitura do livro de J.D. Salinger, "À Espera no Centeio" (The Catcher In The Rye), publicado, entre nós, pela Difel. Em análise, até 31 de Outubro, no Leitura Partilhada.

«Contado na primeira pessoa, "À Espera no Centeio" relata as aventuras de Holden Caufield, um rapaz de 16 anos que, ao ter de deixar o colégio interno que frequenta, mas receoso de enfrentar a fúria dos pais, decide passar uns dias em Nova Iorque até começarem as férias de Natal e poder voltar para casa. Confuso, inseguro, incapaz de reconhecer a sua própria sensibilidade e fragilidade, Holden percorre nesses dias um intricado labirinto de emoções e experiências, encontrando os mais diversos tipos de pessoas e envolvendo-se em situações para as quais não está preparado.»

Neste livro, a atitude que Holden tem perante a vida incomoda. É um adolescente, com dúvidas e inseguranças próprias desta fase. No entanto, não se esforça para conseguir nada. Esta postura perante as coisas e a vida deixa-me preocupada. Muitos jovens, não todos (felizmente), e até mesmo muitos adultos, têm muitas vezes esta atitude. Não se esforçam para ultrapassar as dificuldades, desistem perante um problema (a saída mais fácil) e acham que os outros (normalmente, os pais), mais cedo ou mais tarde, lhes irão resolver os problemas. Falta-lhes objectivos e vontade de lutar por eles.

O professor Antolini diz a Holden o seguinte: «(...) parece-me que assim que começares a perceber claramente para onde queres ir, o teu primeiro passo vai ser aplicar-te na escola. Tem de ser. És um estudante, quer a ideia te agrade ou não. Tens a paixão do conhecimento»

Vivemos numa sociedade cada vez mais competitiva, a nossa medida padrão tem que ser pelos melhores. Penso que seria meio caminho andado, se a maioria dos nossos estudantes assumisse a paixão pelo conhecimento, já que é na escola, quer queiram quer não, que o seu futuro começa a ser preparado.

Música para: Apaixonados (e não só!) ...

You're Beautiful porJames Blunt

My life is brilliant.

My love is pure.
I saw an angel.
Of that I'm sure.
She smiled at me on the subway.
She was with another man.
But I won't lose no sleep on that,
'Cause I've got a plan.

You're beautiful. You're beautiful.
You're beautiful, it's true.
I saw your face in a crowded place,
And I don't know what to do,
'Cause I'll never be with you.

Yeah, she caught my eye,
As we walked on by.
She could see from my face that I was,
Flying high,
And I don't think that I'll see her again,
But we shared a moment that will last till the end.

You're beautiful. You're beautiful.
You're beautiful, it's true.
I saw your face in a crowded place,
And I don't know what to do,
'Cause I'll never be with you.

You're beautiful. You're beautiful.
You're beautiful, it's true.
There must be an angel with a smile on her face,
When she thought up that I should be with you.
But it's time to face the truth,
I will never be with you.

15 outubro 2005

A Dama de Honor ...


"A Dama de Honor" é um filme do cineasta Claude Chabrol, a partir de um romance de Ruth Rendell. O filme conta-nos a história de Philippe, que vive com a mãe e com as irmãs (Sophie e Patrícia). Philippe dá-nos a sensação que sabe o que quer, bastante racional e responsável. É o homem da família, a quem a mãe muitas vezes pede ajuda, para que fale com a irmã mais nova (Patrícia), especialmente quando esta chega tarde a casa e dá sinais de que alguma coisa não está bem. É a ele que a irmã mais nova recorre quando quer dinheiro.

Sophie casa-se com Jacky. No dia do casamento, Philippe conhece Senta, que é uma das Damas de Honor e prima do noivo.

Philippe apaixona-se por Senta. Encontram-se. Amam-se. Mas, Senta começa a mostrar sinais de algum desequilíbrio, obsessão, que a Philippe parecem fruto de uma imaginação excessiva. Philippe deixa-se agarrar pela teia que Senta vai urdindo.

Senta é uma mulher sensual, misteriosa e inquietante. Com um passado, que nunca chegamos a saber se é verdadeiro ou não, que envolve Marrocos, haxixe, teatro, posar para fotos e bares de strip-tease. Uma personagem, da qual tudo se espera. Que nos deixa na expectativa. A mulher pecado. A casa onde vive, com evidentes sinais de degradação, sublinha o suspense. Senta, num enorme casarão que divide com a madrasta (que passa praticamente todo o filme a ensaiar para ir a concursos de tango), escolhe a cave.

A mensagem do filme, para mim, é que as pessoas por mais normais que aparentem ser, escondem sempre uma outra faceta. Philippe, no meio da racionalidade que aparenta, revela uma obsessão por uma estátua que guarda de um rosto feminino, que chega a beijar. O rosto da estátua assemelha-se ao de Senta. O que é ser normal? O que define a fronteira entre o que consideramos normal e o que foge da normalidadde?

A faceta pública das pessoas não é, nem pode ser a mesma em privado. O problema, é a fissura que se abre entre os papéis representados em público e em privado. Todas as famílias têm os seus segredos, os seus medos, as suas inquietações e a sua maneira de encarar os problemas.

Houve momentos, em que a personagem de Philippe me deixou inquieta, especialmente a sua passividade perante a loucura verbalizada por Senta.

O filme conduz-nos na expectativa de um outro final. Gostei das interpretações de Benoît Magimel (Philippe), que me lembro de A Pianista (porque será? ;)), e de Laura Smet (Senta).

14 outubro 2005

Música para: Ouvir todo o dia ...


Who Are U?

de e por David Fonseca

Ever since I saw you
I want to hold you
Like you were the one

It sees right through me
A bullet it comes and takes me
And I love you I love you
I want you but I fear you

Who are u ?
who are u?

Ever since I saw you
I want to hold you
Like you were the one

You feet rest on my shoes
I sing this song for you
Just to see you smile

And I love you I love you
I love you but I fear you

Who are u?
who are u?

For how long
How strong do I still have to be?
How come you mean so much to me?

For how long
How strong do I still have to be?
How come you mean so much to me?

And I love you I love you
I want you but I fear you

Who are u?
who are you?

For how long
How strong do I still have to be?
How come you mean so much to me?

For how long
How strong do I still have to be?

12 outubro 2005

A sua estação de rádio personalizada ...



Simplesmente delicioso conseguir ouvir uma estação sem músicas repetidas o que mais se gosta mesmo sem conhecer algumas das sugestões e tudo baseado na aprendizagem contínua das músicas que se vão ouvindo.

A nossa estação chama-se Laranja com Canela

Obrigado ao Linha dos Nodos pela sugestão.

11 outubro 2005

Pequena grande causa ...

PODE O PÚBLICO SFF ESCLARECER COM QUEM É QUE FÁTIMA FELGUEIRAS MANTEVE CONTACTOS NO SECRETARIADO NACIONAL DO PS? QUANDO É QUE ESSES CONTACTOS TIVERAM LUGAR? QUEM É QUE INFORMOU JAIME GAMA PREVIAMENTE DA LIBERTAÇÃO DE FÁTIMA FELGUEIRAS?

Como "o Público não pode exigir a terceiros uma conduta que os seus leitores não lhe possam igualmente exigir a si".

E a lista de pessoas que pensam o mesmo, está a crescer a cada hora que passa:


A Destreza das Dúvidas, A Fonte, A Forma e o Conteúdo, A Grande Loja dos Trezentos, A Origem das Espécies, Ar Fresco, As Farpas, Abrangente, Abrupto, Adufe, Afixe, Akiagato, Albardeiro, Al(maria)do, Almocreve das Petas, Arcadia, Asilo do Obstinado, Belogue Civico, Biblioteca de Babel, Bicho Carpinteiro, Blasfémias, Blogo Existo, Blogouve-se, Bloguítica, Bodegas, Bombyx Mori, Carambas!, Carlos Alberto, Contador de Gaivotas, Contrasenso, Cuidado de Si, Crackdown, Dolo Eventual, E-jetamos, EN101, Enchamos Tudo de Futuros, Escrita Casual, Espreitador, Fórum Comunitário, Gatochy's Blog, Homem ao Mar!, Ideias em Desalinho, Janela Para o Rio, Jornalismo e Comunicação, Laranja com Canela, Linha do Horizonte, Loja de Ideias, Ma-Schamba, Minha Rica Casinha, Miniscente, Nortadas, O Caricas, O Contradito, O Grunho, O Homem do Leme, O Insubmisso, O Insurgente, O Plagiário, O Reformista, O Sexo dos Anjos, Observador Cósmico, Os Corredores do Poder, Política e House, Política Pura, Porta Aviões, Portugal dos Pequeninos, Praça da República em Beja, Quarta República, Quase em Português, Random Precision, Revisão da Matéria, Satyricon, Sentidos Percebidos, Sob a Estrela do Norte, Sopa de Pedra, Tela Abstracta, Tempo Suspenso, Tese & Antitese e 2B.

07 outubro 2005

A III república ...

Inqualificável é a maneira como várias corporações têm parasitado o estado ajudando o "monstro" a crescer sem controlo à vista, passando pela vergonha do nosso sistema de justiça e ... agora a tão propalada inversão do ónus da prova - a admissão da própria incapacidade de querer e/ou poder alterar o status quo.

A irracionalidade que é caminhar para o abismo e não fazer nada! Quando é que os portugueses acordam e enfrentam a situação? Quando começar a haver incumprimentos de pagamentos na Segurança Social? Quando aumentarmos ainda mais o nível de impostos de maneira a asfixiar qualquer capacidade de investimento e crescimento económico? Será que temos inscrito no nosso ADN a condição de eternos remediados? Será que não nos sabemos governar por nós próprios neste cantinho à beira mar plantado? Estaremos condenados a saltar para lá das nossas fronteiras? É que lá fora, longe dos direitos adquiridos tout court é comum ver compatriotas nossos a trabalhar com afinco, a ultrapassarem-se a eles mesmos, enfim, a prosperar!

É ver os pilares da nossa república a falharem as missões para os quais foram criados, nomeadamente quando se analisa acontecimentos como os de Felgueiras & cia. É ver o poder legislativo a fazer leis, leis e mais leis que de tão perfeitas, são completamente inaplicáveis. Tão perfeitas, que permitem ser aplicadas das maneiras mais contraditórias por uma estirpe de inqualificáveis. Quase apetece dizer "leis de e para aldrabões".

É ver o poder executivo, cada vez com menor capacidade. E mais importante, com cada vez menos coragem de mudar o que quer que seja. É o tique estatizante. Ele são projectos megalómanos para aeroportos, para TGVs, subsidiação de energias alternativas, etc. ... e o monstro continua a crescer ... a devorar os parcos recursos que fazem falta ao investimento e crescimento económicos a quem verdadeiramente gera riqueza. É a absoluta incapacidade de controlar e domesticar um conjunto de corporações que de há muito estão habituadas a comer à mesa do orçamento de estado.

É ver o poder judicial, completamente inoperante em termos de eficácia na aplicação das leis. É vê-los dar tristes exemplos como os de Felgueiras onde quem foge à justiça é recompensado. Na Casa Pia onde os testemunhos não são considerados para efeitos de escusas de ida a tribunal de certos arguidos mas em que os mesmos testemunhos já são utilizados durante o julgamento. É ver os meses a passar para se analisarem recursos e se tomarem outras decisões processuais. Já para não falar nas constantes insinuações de influência partidária em certas decisões.

É ver a comunicação social discutir o acessório em vez do essencial. É ver os media audio visuais, os de maior impacto, a repetir acriticamente notícias elaboradas por gabinetes de relações públicas e/ou acessores de imagem. É ver o constante enviezamento ("bias") do jornalismo de causas. É o entretenimento rotulado de informação. Quase apetece dizer "é infotainment, estúpido!". É a crescente falta de credibilidade decorrente de atitudes autistas e corporativistas em que certos jornais ditos de referência são constantemente desmentidos e não tomam a iniciativa de esclarecer os seus leitores.

Quase apetece dizer "o último a sair que feche a porta!".

É isto, o melhor que conseguimos ser?

Naufrágio de um Cargueiro ...


J. M. W. Turner (1775-1851) pintou o quadro "Naufrágio de um cargueiro", em 1810, em plena Revolução Industrial. No meio de uma tempestade violenta, agressiva, um cargueiro não resiste à força da natureza. As ondas levantam-se em fúria e quase que se confundem com o céu. O cargueiro no meio desta força não resiste. Os ocupantes, tentam sobreviver, mas a fragilidade das suas vidas é evidente. Gritam de terror. A morte está próxima.

Não pretendo fazer uma análise exaustiva do quadro, que se encontra exposto no Museu Gulbenkian, em Lisboa. No entanto, a mensagem que Turner nos queria deixar ainda continua actual. O Homem pode construir barcos que consigam transportar toneladas de carga, pode construir barragens, aviões, casas inteligentes, enviar sondas a Marte, explorar o fundo dos oceanos, viajar pelo espaço, etc... no entanto, torna-se tão frágil e impotente perante a revolta da natureza.

Nos últimos tempos ouvimos falar do Katrina e do Rita. E este calor de Verão que temos sentido? O que é feito do Outono? Gosto de sol. Mas agora já chega ... não?!

04 outubro 2005

Já tem o seu post it versão online?

Quem não gostaria de levar consigo para qualquer lado o seu painel de post it? ;-)

Agora já é possível através do Webnote.

Sugestão: Podem utilizar o nosso painel para intercâmbio de ideias e comentários.

03 outubro 2005

Adesão a uma pequena grande causa ...

Faço minhas, as palavras de Paulo Gorjão - "O Público não pode exigir a terceiros uma conduta que os seus leitores não lhe possam igualmente exigir a si" .

Há que perceber que a credibilidade profissional de todos nós, é diariamente posta à prova através da avaliação do desempenho do trabalho realizado. Se ninguém é perfeito e errar é humano, não podemos persistir no mesmo padrão recorrentemente. Há que aprender com os erros. É preciso não esquecer a história de Pedro e do Lobo ... Como leitores (e cidadãos) merecemos um esclarecimento. Portanto,

PODE O PÚBLICO SFF ESCLARECER COM QUEM É QUE FÁTIMA FELGUEIRAS MANTEVE CONTACTOS NO SECRETARIADO NACIONAL DO PS? QUANDO É QUE ESSES CONTACTOS TIVERAM LUGAR? QUEM É QUE INFORMOU JAIME GAMA PREVIAMENTE DA LIBERTAÇÃO DE FÁTIMA FELGUEIRAS?

Campanha publicitária do ano ... ;)

Já tomou o seu?

02 outubro 2005

Hoje acordei (assim) ao som da Filarmónica Gil ...

Deixa-te Ficar na Minha Casa

Tenho livros e papéis espalhados pelo chão.
A poeira duma vida deve ter algum sentido:
Uma pista, um sinal de qualquer recordação,
Uma frase onde te encontre e me deixe comovido.

Guardo na palma da mão o calor dos objectos
Com as datas e locais, por que brincas, por que ri
E depois o arrepio, a memória dos afectos
Mmmmmm Que me deixa mais feliz.

Deixa-te ficar na minha casa.
Há janelas que tu não abriste.
O luar espera por ti
Quando for a maré vasa.
E ainda tens que me dizer
Porque é que nunca partiste ...

Está na mesma esse jardim com vista sobre a cidade
Onde fazia de conta que escapava do presente,
Qualquer coisa que ficou que é da nossa eternidade.
Mmmmmmm Afinal, eternamente.

Deixa-te ficar na minha casa.
Há janelas que tu não abriste.
Deixa-te ficar na minha casa.
Há janelas que tu não abriste.
O luar espera por ti
Quando for a maré vasa.
E ainda tens que me dizer
Porque é que nunca partiste ...

01 outubro 2005

Museu Calouste Gulbenkian


Na sexta-feira, fui ao Museu Calouste Gulbenkian e fiz uma "Volta ao Mundo em Dez Obras de Arte". Já não é a primeira vez que realizo esta visita e sinto sempre que vale a pena.

Com as visitas guiadas aprende-se mais. Mas a guia faz a diferença. Pode-nos abrir horizontes, contando-nos a história e a contextualização de uma peça, deixando em nós um bichinho curioso de querer saber mais, ou pode querer simplesmente cumprir o horário da visita e não se preocupar em cativar o público ávido de saber que tem à sua frente.

Penso que a maioria dos lisboetas não se apercebe da importância do Museu Gulbenkian e da sua colecção. Deveríamos visitá-lo com mais frequência, pois só assim poderemos reconhecer o legado cultural que Calouste Sarkis Gulbenkian nos deixou.

Fez a 20 de Julho deste ano, 50 anos que faleceu no Hotel Aviz, em Lisboa. Que sorte a nossa ter escolhido Portugal para viver em 1942, em plena II Guerra Mundial.

18 setembro 2005

À Boleia Pela Galáxia

À Boleia Pela Galáxia (The Hitchhiker's Guide To The Galaxy) de Douglas Adams (1952-2001) foi publicado originalmente, em Inglaterra, em 1979.

Assim que abrimos o livro deparamo-nos com a frase: NÃO ENTRE EM PÂNICO. É um óptimo conselho para a alucinante, bem humorada e surreal viagem, onde o improvável é uma constante.

À Boleia Pela Galáxia começa com Arthur Dent confrontado com a demolição da sua casa para a construção de uma via rápida. Entretanto, o seu amigo Ford Prefect, alienígena disfarçado de actor, depois de obrigar Arthur a beber umas cervejas (que servirão de relaxante muscular), salva-o da destruição da Terra. O Planeta Terra é destruído para dar lugar a uma auto-estrada intergaláctica.

Neste universo, descobrimos que qualquer viajante que se preze deve ter "O Guia da Galáxia Para Quem anda à Boleia". Obviamente, a edição em "formato de microcomponente electrónico submétrico", pois se fosse impresso como um livro normal, os viajantes "precisariam de vários edifícios incovenientemente grandes para o transportar consigo".

Uma toalha de banho, da Marks & Spencer, é outro dos objectos extremamente úteis para quem viaja à boleia. Muito prática pois serve: - para o viajante se enrolar se tiver frio; para se deitar; como cobertor no planeta deserto de Kakrafoon; para velejar numa pequena jangada; para a luta corpo a corpo se estiver molhada; serve também para enrolar em volta da cabeça como protecção de fumos nocivos; para evitar o olhar da besta voraz; para acenar como sinal de aflição e por fim, se ainda estiver limpa, o viajante pode usá-la para se limpar. Para além disto tudo, a toalha tem um importante valor psicológico. Um viajante que sabe sempre onde está a sua toalha é um homem de respeito.

Ford Prefect e Arthur, momentos antes da destruição da Terra, apanham boleia numa nave vogon. Os vogons são "mal-humorados, burocráticos, inoportunos e insensíveis" e têm a terceira pior poesia de todo o Universo. A segunda é a dos Azgoths de Kria. A pior poesia do universo morreu com a destruição do planeta Terra. A sua autora era Paula Nancy Millstone Jennings, de Greenbridge, Essex, Inglaterra.

Expulsos da nave Vogon, Ford e Arthur são lançados ao espaço e apanhados pela nave "Coração de Ouro", onde viaja o Presidente da Galáxia. O Presidente da Galáxia é Zaphod Beeblebrox, aventureiro, ex-hippie, boémio e oportunista. Tem duas cabeças e três braços. Na nave viaja também, Trillian e Marvin.

Trillian é Tricia MacMillan, terrestre, com uma licenciatura em matemática e astrofísica, que preferiu apanhar uma boleia a ir para as filas do centro de emprego. Conheceu Arthur numa festa, mas foi Zaphod quem a conquistou. Trillian tem, como seus únicos elos de ligação à Terra, dois ratos brancos fechados numa gaiola. Numa aparente sequência de coincidências, que mais tarde se irão compreender (ao mais ínfimo e intoxicante pormenor), irão todos em busca do "Santo Graal" mais conhecido pelo número 42!? Vale a pena acompanhar esta estranha e improvável viagem em conjunto.

Uma história interessante que, à boa maneira da ficção científica, levanta vários assuntos existenciais e filosóficos, tais como a aniquilação/redução de uma espécie a um indivíduo (ou a dois) e a subjugação da nossa espécie a outra(s). Qual a nossa origem? Qual o nosso papel? O que fazemos aqui? Para onde vamos? Não existirão outras espécies tão ou mais inteligentes que a nossa? Como gerimos os nossos recursos? Somos donos e senhores do mundo, até quando? E Deus?

Esta obra permite-nos questionar a visão demasiado antropológica da natureza (e do universo) que todos temos. Enfim, uma série de assuntos interessantes, polvilhados com muito humor "nonsense" - exagerado em alguns registos - mas de leitura acessível e viciante até à última página. Falta-nos agora, a respectiva confrontação com o filme. A adaptação ao cinema de uma história com estas características, deixa-nos deveras na expectativa.

Esperamos voltar em breve a este assunto ... até lá boas leituras ... e ...

NÃO ENTREM EM PÂNICO!

13 setembro 2005

Meia-Noite ou O Princípio do Mundo ...

Richard Zimler, no romance Meia-Noite ou O Princípio do Mundo (edições Gótica), desafia-nos a viajar de 1798 a 1925, atravessando três continentes: Europa, África e América.

Ao longo desta aventura somos conduzidos por John Stewart Zarco. Nascido no Porto, filho de um escocês (James Stewart) e de uma judia portuguesa (Maria Pereira Zarco). John é o narrador e começa por nos falar da sua infância, no Porto, e do seu amigo Daniel, da aventura no mercado das aves e da influência que Violeta terá na vida de ambos.

Intrigado com a palavra marrano, irá descobrir o judaísmo. «Tudo o que eu sabia de fonte segura era que Moisés era um profeta que tinha chifres na cabeça. (...) todos os judeus tinham tido estas protuberâncias há milhares de anos atrás, mas que tinham caído por falta de uso. (...) alguns membros antigos desta raça tinham mesmo possuído caudas peludas.» Depois de confirmar que não tinha "indícios de excrecências disformes denunciadoras" ficou mais descansado.
Importante é também, a influência de Meia-Noite na vida de John e da sua família. Meia-Noite chega ao Porto com James Stewart, vindos de África. Meia-Noite não teria mais de metro e meio e a sua pela era negra. John e a mãe recebem o boximane com desconforto. Mas, Meia-Noite com a sua sabedoria e bondade irá conquistar a amizade de ambos.

Depois de uma viagem a Inglaterra, James Stewart regressa sem Meia-Noite. Segundo o relato, Meia-Noite morreu. Este acontecimento marca profundamente a família e a verdade só virá muito mais tarde.

O reencontro com Violeta e a tentativa de corrigir uma acção injusta, levam-no a viajar para os Estados Unidos da América. Aí confronta-se com a escravatura e uma sociedade dividida entre brancos e negros. As grandes plantações de brancos. E os negros, escravos, seres humanos tratados sem dignidade e abusados na sua integridade.

Este romance mostra-nos, através da família de John, como vivia uma família de "cristãos-novos", em Portugal, em finais do século XVIII e princípio do século XIX. Supostamente, não havia judeus em Portugal, porque em 1497, os judeus converteram-se, depois de ameaçados de morte, e passaram a ser cristãos-novos. Não podiam professar livremente a sua fé e se o fizessem eram perseguidos, presos e até mortos. Vivia-se um sentimento desagradável, de mau estar em relação aos judeus.

Amizade, amor, traição, judaísmo e escravatura, são temas que fazem de "Meia-Noite ou o Princípio do Mundo" um livro a ler. É um importante contributo para saber quem somos e relembrar-nos das opções que tomámos ao longo da História. O preconceito, não é algo novo. Às vezes sinto, que demoramos, em demasia, a aprender as lições da nossa História. Precisamos de mais obras como esta.

12 setembro 2005

Blite de Cinema e Filosofia

Para todos aqueles que se interessam por cinema, filosofia, teatro e literatura, aconselho uma visita ao Cinefilosofia.


P.S.: Blite = Blog(ue) + Site.

08 setembro 2005

A Possibilidade de uma Ilha

"La Possibilité d´une Île" [A Possibilidade de uma Ilha] é o último romance de Michel Houellebecq e tem suscitado muita polémica em França. O tema do romance é a clonagem humana. Aguardamos a tradução portuguesa.

06 setembro 2005

New Orleans precisa de ajuda...

A Cruz Vermelha Americana é a principal presença nas zonas afectadas pelo furacão Katrina. Ajudar é fácil. Basta ir a https://give.redcross.org e deixar o seu donativo.

05 setembro 2005

Praia do Barril (Tavira)

A água limpinha. O sol. A esplanada. Os aperitivos. As bolas de Berlim ... e as férias de verão terminaram.

01 setembro 2005

De férias ...

De férias ... pelas terras dos Algarves. STOP. Pouca bateria. STOP. Está a saber muito bem. STOP. Boa comida. Boa praia. Ali para os lados de Tavira. STOP. :( Voltamos em breve ...

26 agosto 2005

Incêndios, aqui vamos nós, mais uma vez ...

Leio no Farol das Artes:

"(...) a compra de aeronaves e a dispensa obrigatória dos funcionários públicos que são bombeiros para irem combater os incêndios.
A primeira destas medidas só peca por tardia, vem aliás com um atraso de décadas, como é que um país compra submarinos para combates virtuais e não possui uma única aeronave de combate a incêndios ? (...)
"

Já se pensou que o custo de ter, manter e operar estes tipos de recursos, a médio e longo prazo, é superior ao quanto custa alugar temporariamente a sua utilização?

Em relação aos submarinos, a comparação, a meu ver, é um pouco demagógica. Não que tenha assim tanta simpatia pela instituição em causa nem pelos submarinos adquiridos. O que é certo, é que essa instituição tem uma função importante para o país (credibilidade externa, defesa contra ameaças externas, etc.) e os submarinos (por incrível que pareça) foram as opções (sempre criticáveis, é certo) escolhidas pela referida instituição com o intuito de realizar a sua missão. A opção foi feita e ao que parece está a ser concretizada. Consequentemente, o país, isto é, todos nós, devíamos assumir essa instituição e respectiva missão.

Um pequeno à parte - talvez seja exagerado da minha parte, mas sempre que alguém utiliza o argumento "em vez dos submarinos podia-se ...", oiço uma campainha de alarme a tocar - eu bem sei que os recursos são finitos (e mais escassos que gostaríamos de admitir) e quando se gasta num lado não se pode utilizar noutro, mas há limites.

E porque não deixar de subsidiar o eterno e recorrente plantar de árvores e deixar para os proprietários o principal mecanismo da responsabilização pela gestão "mais correcta" da floresta? E já agora, porque não contratar com entidades o combate aos fogos, pagando proporcionalmente, não pelo tempo e recursos utilizados no combate, mas sim proporcionalmente à área não antigida em relação ao inicialmente contratado? Reduziam-se significativamente os incentivos à eternização do problema!

Mas muito melhor que eu, aconselhava uma leitura da excelente discussão sobre este assunto, a anos luz do inenarrável espectáculo das nossas televisões e jornais, que decorre no Blasfémias. Sugiro pelo menos a leitura dos seguintes posts:

O paradoxo da falta de meios (reposição);

Portugal arde (reposição*);

Portugal tem floresta a mais II;

3 soluções;

Estado máximo, cobertor curto, pés frios II (e restantes posts da série "Estado máximo, cobertor curto, pés frios").

Para concluir, e que tal: "(...) Numa região onde as casas são construídas totalmente em madeira, as autoridades aprenderam há muito que levar a sério a prevenção de incêndios é a única solução aceitável. Nos anos que ali morei nunca conheci ninguém que não limpasse a mata. (...)" via Rua da Judiaria? Uma pequena grande medida para certas zonas do país!? Uma medida do tipo fiscalizador em oposição ao tipo interventivo mais facilmente concretizável pelo estado (mas apenas a nível local/regional)?

Desculpem lá o desabafo, mas isto já "chateia" de tanto ouvir falar do assunto (imagino o que sentirá quem é directamente afectado!).

25 agosto 2005

Música de e no Verão ...

Para acompanhar as férias, neste mês de Agosto, estou a ouvir o álbum "Au Sourire de l´âme" do cantor e guitarrista Pep. Podem ouvir alguns excertos aqui.

Música alegre e muito "fresca". Mesmo a combinar com a estação do ano!

Deste álbum, a minha preferida é:

Liberta


Tu sais qu'il y a un bateaux qui mène au pays des rêves
Là-bas où il fait chaud, où le ciel n'a pas son pareil
Tu sais qu'au bout cette terre
Oh oui les gens sèment
Des milliers d'graines de joie où pousse ici la haine
On m'avait dit p'tit gars
Là-bas on t'enlève tes chaînes
On te donne une vie
Sans t'jeter dans l'arène
Comme ici tout petit après neuf mois à peine
On te plonge dans une vie où tu perds vite haleine
Alors sans hésiter
J'ai sauté dans la mer
Pour rejoindre ce vaisseau
Et voir enfin cette terre
Là-bas trop de lumière
J'ai dû fermer les yeux
Mais rien que les odeurs
Remplissaient tous mes voeux

Refrain

I just wanna be free in this way
Just wanna be free in my world
Vivere per libertà
Vivere nella libertà

Alors une petite fille aussi belle que nature
Me pris par la main et m' dis suit cette aventure
On disait même, oh oui que la mer l'enviait
Que la montagne se courbait pour la laisser passer
Elle m'emmena au loin avec une douceur sans fin
Et ses bouclettes dorées dégageaient ce parfum
Qui depuis des années guidait ton chemin, mon chemin, le chemin

Refrain

Pour arriver enfin à ces rêves d'enfants
Qui n'ont pas de limites comme on a maintenant
J'ai vu des dauphins nager dans un ciel de coton
Où des fleurs volaient caressant l'horizon
J'ai vu des arbres pousser remplaçant les gratte-ciel
J'ai vu au fond de l'eau une nuée d'hirondelles

24 agosto 2005

Que vírus atacou a blogosfera?!

O que se anda a passar na blogosfera? Serão os efeitos da silly season? Ou anda para aí um vírus maluco? Serão os factores de influência ou as estatíticas?

Já lhes perdi a conta. Num curto espaço de tempo acabaram: Jaquinzinhos, Aviz, Quartzo, Feldspato & Mica, Fora do Mundo, Terras do Nunca e agora o Lóbi do Chá anuncia "preparativos para riscar a blogosfera da agenda"! Tá mal!

O que é que se passa? Bush prepara-se para invadir a blogosfera?! ;)

P.S.: Por favor, a quem de direito, desliguem a música ou o vídeo automáticos nos blogues! Será que foi isto que tem afugentado tão boa gente?