quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos,
quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor
ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is"
em detrimento de um redemoinho de emoções
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está
infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto
para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos
conselhos sensatos.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se
da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projecto antes de
iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre
que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar.
Pablo Neruda
[Poema encontrado aqui]
É bem verdade que estar vivo exige muito mais que a nossa respiração. É preciso acreditar, é preciso ter a coragem de ser diferente, e supreender os outros e nós mesmos. Morre lentamente quem não acredita em si e se fecha para o mundo...
Acredito que "nós só morremos quando morrer a última pessoa que nos conheceu". Li esta frase, há já uns anos, no livro "Se não sabe porque é que pergunta?", de João dos Santos, e continua a fazer muito sentido para mim.
A nossa mortalidade depende da natureza. No entanto, a nossa "imortalidade" depende de todos aqueles com quem interagimos e do modo como nos posicionamos perante as coisas.
Acredito que "nós só morremos quando morrer a última pessoa que nos conheceu". Li esta frase, há já uns anos, no livro "Se não sabe porque é que pergunta?", de João dos Santos, e continua a fazer muito sentido para mim.
A nossa mortalidade depende da natureza. No entanto, a nossa "imortalidade" depende de todos aqueles com quem interagimos e do modo como nos posicionamos perante as coisas.
O poema de Pablo Neruda deixa-nos a pensar sobre o modo como temos vivido. Incute-nos coragem para arriscar e não ter medo de perder.
Escreveu Pessoa, na "voz" de Ricardo Reis,
ResponderEliminar"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive."
E de Sebastião da Gama,
"[...]Basta a fé no que temos,
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia-a-dia.
Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Vamos. Somos."
deixei-te um recado no Farol ***
ResponderEliminarTambém morre quem não se deixa amar...
ResponderEliminarNão acredito na impossibilidade de amar. Há sempre amor no ser humano, nem sempre orientado de forma construtiva. O amor é de tal modo complexo que tem muitas máscaras, muitos códigos, muitos curto-circuitos. Amar é uma aprendizagem, uma descoberta. É vivência individual e por isso irrepetível. Não amamos todos de igual modo, nem mais, nem menos. Quem de nós nunca experimentou diferentes formas de amor ao longo da sua vida?
ResponderEliminarO Amor é... tal como o famoso verso de shakespeare ' to be or not to be, that is the question'.