11 setembro 2006

In Memoriam ...

13 comentários:

totoia disse...

Passado tanto tempo, ainda me custa acreditar...

Badala disse...

Apesar de ter passado algum tempo as coisas não estão melhores, antes pelo contrário. Porque razão pode o Bush armar-se em polícia do mundo e atacar o Afeganistão, invadir o Iraque, andar metido com o Iraque e ameçar o Irão? Eles são melhores de que quêm?

patitika disse...

É esta uma das imagens que continua marcada na memória.

Professor Pardal disse...

badala, desde já obrigado pelo seu comentário, mas o tio Bush não é para aqui chamado!

O que se passou cinco anos atrás, não só, não é desculpável, como também não foi provocado pelas "razões" enumeradas.

Eles foram atacados antes do Afeganistão e do Iraque ... não depois! Não inverta a ordem!

Nós, os que vivemos na civilização Ocidental, deveríamos antes de tudo, considerar que a 11 Setembro de 2001 não foram apenas os americanos a sofrer um ataque terrorista. Foi o nosso modo de vida que foi atacado! Como aquando dos outros ataques terroristas em Bali, Madrid, Londres, Indía ...

Um pequeno aparte: Não sendo nenhum paraíso, para o bem e para o mal, os EUA, tem vindo a tornar-se no expoente máximo da nossa civilização Ocidental. Lá por não sermos "tão bons como eles", não deixe que o seu anti-americanismo primário lhe continue a toldar o seu raciocínio nas análises que faz.

India disse...

Em primeiro lugar saúdo o regresso temido, mas muito aguardado, do Professor Pardal. Discordo em absoluto da leitura linear e também primária dos factos expostos... Quem tem telhados de vidro não atira pedras aos do vizinho e a política externa norte-americana tem muitos telhados de vidro, a começar pelos da família Bush, e recuando a outros antes deles. Nada legitima o ataque ao world Trade center, nem o 11/09, nem Bali, nem Madrid, nem Londres. Nada! Mas nada legitima a guerra de bastidores, as manobras por baixo do pano que os Senhores da Guerra tanto apreciam. Por último discordo em absoluto do modelo civilizacional do Tio Sam. Com todos os defeitos e suposta "pobreza de espírito" prefiro o Zé Povinho. O que é nacional é bom!
Já vou saindo de mansinho que aí vem brasa. Foi um prazer, Professor.

Professor Pardal disse...

"Em primeiro lugar saúdo o regresso temido, mas muito aguardado, do Professor Pardal."

Ser-me-á deveras difícil estar à altura de tão exigente expectativa. Vamos lá ver como é que me saio ...


"Discordo em absoluto da leitura linear e também primária dos factos expostos ... Quem tem telhados de vidro não atira pedras aos do vizinho e a política externa norte-americana tem muitos telhados de vidro, a começar pelos da família Bush, e recuando a outros antes deles. Nada legitima o ataque ao world Trade center, nem o 11/09, nem Bali, nem Madrid, nem Londres. Nada! Mas nada legitima a guerra de bastidores, as manobras por baixo do pano que os Senhores da Guerra tanto apreciam."

É este "Mas" que me provoca, o tão "temido" ;), amargo de boca. Como a India tão bem disse, "Nada!", mas mesmo "Nada!" poderá desculpabilizar ou legitimar um acto terrorista! Ponto final. Sem "Mas". Isto não é ser simplista. É não esquecer o essencial. Era essa a mensagem do meu cometário anterior.

É claro que as coisas não são preto nem branco. No entanto, nestes assuntos, em toda a sua complexidade, há que tentar evitar ficar imobilizado por inúmeros pormenores e outras tantas pontas soltas. Tem que se tentar ver a floresta para além das árvores em primeiro plano e isto passa, a meu ver, por perceber que o nosso modo de vida, ocidental, está a ser atacado por uma minoria fanática. É possível, diria até, provável, que várias das nossas acções irão, no curto prazo, "complicar" as coisas e até aumentar a respectiva base de apoio dessa mole humana parada no tempo.

Mas agora pergunto, qual o custo, a longo prazo, de olhar para o lado e dizer que não é nada connosco?! Ao contrário do que me pinta, não sou um falcão, mas desconfio que a melhor maneira de assegurar a paz e o bem estar, a longo prazo, é não hesitarmos em assumir a(s) nossa(s) identidade(s) sem recriminações e preparar-nos para o pior cenário possível, estando inclusive, dispostos a praticar "política por outros meios". Preparar-nos para a Guerra de maneira a conseguir assegurar a Paz. Não serei, com certeza, um romântico nestas coisas. Recuso-me a ceder a pulsões, essas sim primárias, que neguem a realidade de maneira a sentirmos mais reconfortados. Como ontem, Pacheco Pereira, tão bem disse: "Criminalizar as vítimas" (os americanos do 11/09) de maneira a negar a realidade.

Quantos aos telhados de vidro, parece que é coisa que os americanos e ingleses não estejam preocupados - felizmente, na minha opinião - Muito menos estarão inibidos em relação a certas ideologias ou outros exercícios intelectuais de recriação. Não se esqueça, que quanto a política externa e relações internacionais, nunca existiu nenhuma cartilha pré-determinada pela qual os países - todos os países - estejam estado dispostos a seguir à excepção da defesa dos seus interesses imediatos. Aqui tento ser realista e não me deixar levar por pensamentos de "wishful thinking".


"Por último discordo em absoluto do modelo civilizacional do Tio Sam. Com todos os defeitos e suposta "pobreza de espírito" prefiro o Zé Povinho. O que é nacional é bom!"

Está no seu pleno direito em preferir pelo produto nacional. Quanto a este ponto, prefiro escolher um "modelo civilizacional" que gera mais riqueza, proporcione mais bem estar, e acima de tudo, promova a liberdade individual e a difusão de conhecimento científico, cultural, etc. em quantidade e qualidade nunca antes visto. Por ventura, uma questão de maior exigência.


"Já vou saindo de mansinho que aí vem brasa. Foi um prazer, Professor."

O prazer foi todo nosso. Cá ficaremos - ansiosos - pela sua tréplica.

india disse...

A minha resposta está em gestação... queira desculpar a indelicadeza. Até breve.

india disse...

Caro Professor,

A gestação da tréplica foi longa e sobressaltada por vários imprevistos. Sem mais delongas, passando à discussão da mesma, gabo-lhe a fluência retórica, fruto, certamente, de inolvidáveis debates nas tribunas virtuais. Contudo, mais uma vez, reafirmo não concordar consigo. Começo pela adversativa "mas". O mas faz todo o sentido, uma vez que coloca em perspectiva dois aspectos de sopeso. Não se trata aqui de olhar a aspectos meramente secundários. De um lado, actos loucos e sem o sentido do que convencionamos como racional ( o 11/09 é um acto global de desespero trágico, de uma e outra parte ; do outro, a política externa americana, o apadrinhamento, treino e sustentação financeira e bélica de movimentos mais ou menos intervenientes no palco das guerras civis.
Sou acérrima defensora da paz, mas não creio que os fins justifiquem os meios. Em absoluto! Nem creio que esta seja uma visão romântica. Preparar-nos para a guerra como uma solução final, é de facto redutora e arrasa qualquer sentido de civilidade. Já que apregoa a preferência pelos aspectos civilizacionais que geram riqueza, argumento que aprecio excepcionalmente, não se esqueça de pesar nos pratos da balança se o edifício dessa civilização deve assentar em princípios de inverdade, de sobranceria, de visões limitativas de senhores da Guerra. No mundo, e na Europa a que me orgulho de pertencer, há outros exemplos de que melhor é possível.
Acredite - a paz, a ser possível em territórios minados pelo ódio, só tem sentido se houver tolerância. E a tolerância não é sinónimo de fundamentalismo.
Wishful thoughts!
O mundo não tem só janelas abruptas.

Cordialmente,

India

totoia disse...

Só para dizer, que tive de ler e reler para os perceber...

Eloquentes...bah!!

Quanto ao 11/09, seja de quem for a culpa, causa-me indignação choque, tristeza e saudades, muitas do mundo quando não conhecia as palavras terrorismo, al-qaeda, Bin Laden, etc..

Seja de quem for a culpa, o mundo mudou e não foi para melhor.

Agora podem continuar a discussão!!

Badala disse...

Bem, eu( penso ) que fui quem começou a discussão queria dizer que é com muito pesar que recordo aquele dia e que obviamente me entristece muito. Mas acho que nisto não há governos inocentes, nem antes nem depois daquele dia, de ambas as partes. A espécie a que pertencemos, muitas vezes, não me dá orgulho nenhum.

Marco disse...

Caro Professor Pardal:
As invasões do Iraque e Afeganistão certamente não desculpam o 11.09 mas este último também não justifica as referidas guerras.
11.09 So what? Já reparou em quantas pessoas morrem todos os dias porque os países ditos civilizados em conjunto com meia dúzia de ditadores exploram o resto do mundo?
O nosso modo de vida? Que grande treta... Parece que bebeu avidamente toda a propaganda do Sr. Bush... e nem sequer parou para pensar por si...
Os EUA são o expoente máximo da civilização ocidental? Pois na minha opinião estão longe de o ser.
Anti-americanismo? Pena que irremediavelmente os apoiantes da política Bush resumam a isso o único argumento para justificar as asneiras que ele tem feito.
Não me incomodou particularmente o 11.09, também as guerras do Sr. Bush não me chateiam, a história é feita de guerras, o que me aborrece é quererem que eu acredite naquelas baboseiras que usam para justificar as invasões.

Marta Amado disse...

Passados cinco anos, continua a ser chocante rever as imagens e documentários sobre esta tragédia. Parecem irreal que uma coisa destas tenha acontecido mas infelizmente foi bem real.

india disse...

No silêncio do Professor Pardal, quiçá atordoado com as últimas investidas, pude sentir a consternação que é comum a quem sente,vive,procura contribuir para um quotiano equilibrado e civilizado. Os valores que constituem a génese da velha Europa, apesar de alguns períodos e políticas invasivas, quer no próprio continente, quer em territórios ultramarinos, têm sido a garantia de um futuro conjunto. Possam ainda ser disuasores de manobras de retaliação desesperadas daqueles, que aqui e ali, foram barbaramente subjugados, escravizados, intolerados. En nome de uma Fé, em nome de uma ideologia, em nome de um império. Melhor é possível!