21 dezembro 2005

Bicentenário da Morte de Bocage



















Já Bocage não sou!... À cova escura


Já Bocage não sou!... À cova escura

Meu estro vai parar desfeito em vento...

Eu aos Céus ultrajei! O meu tormento

Leve me torne sempre a terra dura.


Conheço agora já quão vã figura

Em prosa e verso fez meu louco intento;

Musa!... Tivera algum merecimento

Se um raio de razão seguisse pura!


Eu me arrependo; a língua quase fria

Brade em alto pregão à mocidade,

Que atrás do som fantástico corria.


Outro Aretino fui... A santidade

Manchei - ... Oh! Se me creste, gente ímpia,

Rasga meus versos, crê na eternidade!


Manuel Maria Barbosa du Bocage nasce, em Setúbal, no dia 15 de Setembro de 1765. Morre a 21 de Dezembro de 1805. Foi um génio incompreendido numa sociedade decadente e "imbecilizada pelo obscurantismo religioso". Para a posteridade ficou a sua Obra. Que viva Bocage!

3 comentários:

rutemoura disse...

Reclamação:

Com este frio e com férias a porta não há sugestões de leitura... alguma coisa que abra o apetite??

Bocage disse...

Querida Professora, n podia estar mais de acordo com o seu comentário sobre Bocaje!
Recordo-a sp c 1 prof. extramente simpática e divertida(dos tempos do Camões!), o q contrastava c o marasmo e a sonolência q outros profs nos incutiam!
Viva Bocage e a sua corrosiva crítica à sociedade decadente que, ainda hoje, infelizmente, subsiste!

Carlos

joaninha disse...

Obrigada de todo o coração, por este poema aluzivo ao poeta da minha cidade.