27 novembro 2005

Guerra dos Mundos ...

A Guerra dos Mundos é um filme de Steven Spielberg, baseado na obra de H.G. Wells, com o mesmo nome, de 1898. War of the Worlds possui uma outra versão cinematográfica, realizada em 1953, por Byron Haskin.

A par de uma ameaça extraterrestre, que pretende destruir a espécie humana e o planeta tal qual o conhecemos, desenrola-se a história de uma família. Ray Ferrier (Tom Cruise), divorciado e pai de dois filhos, Robbie (Justin Chatwin) e Rachel (Dakota Fanning). As relações entre eles não são as melhores. Ray é nitidamente um pai ausente, que sabe muito pouco dos seus filhos.

A acção começa quando a mãe, Mary Ann (Miranda Otto) e o seu actual marido, deixam os filhos com Ray e dirigem-se para Boston, onde vão passar o fim-de-semana. Entretanto, a cidade é abalada por sinais de uma forte tempestade e começa uma sucessão de assustadores relâmpagos. A calma aparente da cidade é interrompida por máquinas, que irropem do solo, e que começam a matar os humanos e restantes seres vivos, ou a reduzi-los a pó com um raio fulminante (deixando as roupas intactas) ou num processo mais elaborado, capturando-os e tirando-lhes o sangue.

A principal questão do filme centra-se no sentimento de impotência por parte dos humanos em alterar o rumo das coisas, nomeadamente face a uma ameaça externa. O comportamento dos extraterrestre é análogo ao comportamento dos humanos para com as outras espécies e muitas vezes com a sua própria espécie. Muitos são os livros e filmes que nos colocam perante a possibilidade de uma ameaça extraterrestre. Enquanto espécie não nos imaginamos submissos a outra espécie. Parece que temos receio que nos façam aquilo que fazemos aos "outros"!?

Outro aspecto interessante, presente no filme, é o da natureza humana. Em situações de crise e de sobrevivência somos capazes do melhor e do pior. Ray acaba por descobrir os seus filhos. Aquilo que eles fazem, do que gostam e que problemas têm. Os filhos começam a admirar o pai, deixando de ser alguém com quem passavam uns dias de tempos a tempos, para sentirmos que a partir desta provação, passa a ser uma referência. O pior, revela-se quando menos esperamos, numa situação de crise todos somos potenciais assassinos. Para proteger a nossa vida e dos outros de quem gostamos, também somos capazes de acções moralmente reprováveis. Em desespero de causa, quando, por exemplo, no filme, a multidão luta e mata pela posse do único carro em funcionamento. Ou em situações racionalizadas até ao limite, onde matar o outro é o "único" caminho possível para assegurar a sobrevivência, neste caso de Ray e da filha.

O filme chama ainda a nossa atenção para a dependência que a espécie humana tem em relação à tecnologia: energia eléctrica, telemóveis, carros, etc. ... Estamos tão dependentes de determinados objectos que já é difícil pensar a nossa vida sem eles. Já pensaram o que seria se, por exemplo, durante um mês seguido não houvesse telemóveis (e acesso à Internet ;) )!?

5 comentários:

Ricardo disse...

Viva,

Gostei da primeira metade do filme mas, a partir de certa altura, acho que o filme perdeu as qualidades que tinha apresentado até essa altura. Do "homem comum" a personagem de Cruise passou a "herói" e a gestão do medo (paralelismo com o 11 de Setembro) deu lugar a um confuso cenário de cultivo extraterrestre. Mesmo assim é um filme agradável.

http://filhodo25deabril.blogspot.com/2005/08/540-sala-de-cinema-war-of-worlds.html

Abraço,

Professor Pardal disse...

Ricardo,

agradeço o seu comentário. No entanto não me revejo nele nem no post do seu blogue quando relaciona a temática do terrorismo e/ou do 11 de Setembro com o filme.

A meu ver, este filme pode ser interpretado como uma história dentro de outra história. Isto é, a evolução (neste caso, para melhor, no sentido de amadurecimento como pessoa) da personagem principal - Ray - passa-se tendo como pano de fundo a invasão extraterrestre com todas as suas consequências negativas para a Humanidade em geral. Como que anunciar que a natureza humana é capaz do melhor, mesmo debaixo das mais difíceis provações. As referências às consequências do terrorismo (Ray coberto de cinza, listas de possíveis vítimas, multidões em fuga, ...) são meramente acessórias e servem para melhorar(?) o efeito comunicacional. Já agora, as imagens das multidões em fuga, fazem-nos lembrar mais um cenário (clássico) de guerra (tipo ex-Jugoslávia) ou o 11 Setembro?

Concordo consigo quando refere que falta um certo equilíbrio na ligação entre estas duas histórias (no mecanismo "zoom in" / "zoom out"). Tem razão, falta ali qualquer coisa.

Mr. Me disse...

Embora os efeitos especias sejam do melhor que tenho visto... penso que desta vez Spielberg optou por dar mais importância aos actores e à relação entre personagens...

Ricardo disse...

Viva,

Fiquei com a sensação que Spielberg tentou fazer o paralelismo nas ruas de Nova Iorque entre o ataque terrorista e a invasão extraterrestre. Mas não faço disso um cavalo de batalha...

O filme podia ter sido bem melhor mas não disse que foi mau. A relação familiar está bem conseguida e só acho que o filme perdeu-se um pouco na parte final.

Abraço,

Luis Rodrigues disse...

ehehhe, deixem-me então dizer eu: o filme é mau. é, porque insinua mas não responde. é, porque os assuntos estão desconexos. é, porque o final é paupérrimo e a adaptação da obra de Wells aos nossos dias deixa muito a desejar. é, porque a interpretação dos actores é fraquíssima, onde o Cruise é o canastrão do costume e a Dakota recolhe o pior do pai (o Willis): gritando por tudo e por nada - salva-se o grande, grande Tim Robins e os tipos que fazem de extra terrestres :). é, enfim, porque o filme é uma mera colecção de efeitos especiais, não explorando minimamente o melhor da ideia de Wells, a saber: a possibilidade de sermos invadidos por seres ET não-pacíficos, cujas motivações são idêncticas às nossas: sobrevivência, exploração e ganância.
desculpem o atrevimento. posso até estar errrado, mas é o que penso. Cumps!